quinta-feira, 12 de novembro de 2009
...
mas não saberão que o amor a matava
Era pra ser duro como foi
pois tudo sempre acontece da melhor forma.
O amor que teve foi o melhor que poderia ter
Nem mais nem menos do que mereceu
Um dia mais que lhe fosse concedido, seria demais
Viveu
Então chegou a hora, era o momento certo
e tudo o que parecia estar dentro de si,
e que na verdade estava no ar,
foi enterrado junto com seu último suspiro.
Não há recordações, nem mais lágrimas.
A doçura é uma ilusão, pois não há lá bem
só vazio de pontenciais e ilusões
que vivera o tempo necessário para morrer
acabara como tudo o que se acaba
e, com todo seu amor, será esquecida
como todos os amores
já que as dores sempre doem.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Seu Gentil do Orocongo...
"É feito de uma cabaça grande, serrada ao meio, com um braço que possui apenas uma corda. À primeira vista, parece muito primitivo. Mas essa primeira conclusão não resiste a um segundo olhar, quando prestamos atenção à técnica que é emprega da tocá-lo. Quando comecei a prestar atenção em como os dedos de mestre Gentil passeavam pela corda, sem tocar o braço, percebi a delicadeza e a sofisticação que tinha de ser empreendida para obter melodias e harmonias satisfatórias." (Déa Trancoso, cantora e jornalista)
domingo, 18 de outubro de 2009
O professor pesquisador e a pesquisa da prática
Devido a complexidade humana e a provisoriedade do conhecimento, a atividade de ensinar precisa ser continuamente refletida e ressignificada.
O professor precisa, continuamente, ser reflexivo e investigar sua prática, esforçando-se para que haja sempre e conscientemente a comunicação entre o conhecimento científico e suas formas mais pessoais e ja consolidadas de conhecimento (da prática cotidiana), procurando evitar que sua prática profissional transforme-se num praticismo, tão prejudicial ao trabalho pedagógico ou a qualquer atividade em que, para que se obtenha sucesso, haja a necessidade de encontrar soluções eficientes para novas situações-problema.
Nessa prática, é necessário que o professor encontre meios de desestabilizar crenças e práticas cristalizadas de seu cotidioano profissional que são, muitas vezes, desprovidas de um embasamento teórico estrutural e que pode estar sendo prejudicial à sua atividade pedagógica, já que o mesmo pode acabar assumindo essas crenças e práticas como verdades inquestionáveis e por sua vez, limitadoras, quando se tornam um empecilho que dificulta a mudança frente a novas situações e necessidades.
Através da pesquisa da prática e ação mediante os resultados, o professor-pesquisador é capaz de transformar sua prática, buscando sempre a reflexão e a investigação, necessitando, para isso, metodologicamente distanciar-se dela para lançar o olhar do questionamento; para pensar a prática, buscando interação entre seu conhecimento pessoal e compartilhado e o conhecimento científico, o que deverá levar a projeção de novas ações.
Busca-se a ciência para ao esclarecimento de questionamentos e a resolução do problema, o qual uma vez resolvido, requer constante reflexão, que por sua vez, gera novos questionamentos.
A ciência hoje precisa considerar a subjtividade como inevitável na construção do conhecimento, pois os pensamentos, crenças e percepções do pesquisador estão inseridos já nas escolhas do mesmo e se expressam ao longo de sua execução. Para que haja validade do trabalho de pesquisa da prática como trabalho científico, é preciso que haja o reconhecimento de uma epistemologia da prática profissional, que ao contrário da racionalidade técnica da pesquisa positivista, admita essa prática (profissional) como um lugar de produção dos saberes, mas com instrumentos de validação diferentes dos usados para pesquisa acadêmica tradicional, pois os estudos dessa prática (docente) são orientados pelo paradigma interpretativo, compreensivo e reflexivo que difere do tipo de pesquisa com abordagem quantitativa.
O professor detém o conhecimento adquirido através da prática, do dia a dia, da investigação e auto-avaliação; um conhecimento pessoal e subjetivo, que somado ao saber sistematizado e formal, é a fonte para sua própria pesquisa e construção (transformação) do conhecimento diretamente relacionado com seu próprio trabalho e cotidiano, que poderá transformar e melhorar sua atuação, tornando realmente válido o seu trabalho, na medida em que, assumindo conscientemente suas responsabilidades, cumpre de maneira realmente significativa o que se propõe.
A pesquisa qualitativa no campo educacional
Creio que, por reconhecer que todo conhecimento, por mais que seja organizado e sistematizado, são verdades relativas produzidas pelo experimento observado e que não existem verdades absolutas e inquestionáveis, é que se admite hoje a participação do olhar do pesquisador na pesquisa. Sendo um dos principais instrumentos de sua própria pesquisa, o pesquisador não é neutro. Este insere-se no ambiente a ser investigado, procurando não intervir. Porém, mantém-se algumas regras para produção e validação do conhecimento científico: o pesquisador não julga aleatoriamente, sem um embasamento teórico, nem permite conscientemente que suas crenças e conceitos anteriores determinem o resultado de sua pesquisa. Este também não interfere no objeto de sua pesquisa, preocupando-se criteriosamente em como inserir-se e, posteriormente, em como afastar-se de seu campo de pesquisa. Há necessidade de profundidade de conhecimentos teóricos precedentes a análise, sendo que admite-se nessa abordagem, partir-se dos dados para a teoria, "deixando que a dimensão e categorias aflorem durante o processo de coleta e análise dos dados".
No campo educacional, encontramos grande variedade e riqueza de fontes de pesquisas, antes negligenciados pela pesquisa tradicional orientada pelo positivismo. A prática cotidiana (profissional), organizada e sistematiza passa a ser considerada como lugar de produção de saberes. O questionamento de problemas teóricos e quase universais ou de interesses secundários vai dando lugar a problematizações locais, investigadas em seu contexto específico. Neste sentido, a pesquisa qualitativa aborda as práticas escolares cotidianas, seus problemas e questionamentos, como principais objetos de pesquisa, dialogando com teorias científicas, tendo como objetivo, além da construção do conhecimento, o de intervir prática e diretamente na modificação e melhoria desse cotidiano, continuamente.
Este tipo de pesquisa veio para mudar a forma que as pesquisas em educação eram feitas e vistas, mudando a forma de se coletar e interpretar os dados, e com isso, percebe-se uma grande mudança na ciência e na maneira de se produzir conhecimento, na idéia de conhecimento como "verdades relativas" e sua provisoriedade, etc., alterando consideravelmente a forma de se compreender o mundo.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
ERLKONIG
Este poema é inspirado no poema de mesmo nome de Goethe (1749 – 1832) que narra a história do Rei dos Elfos (Erlkönig) que captura de um pai seu filho em plena cavalgada levando a criança à morte.
Franz Schubert (1797 – 1828) escreveu um belíssimo lied baseado nos versos de Goethe.
No ápice, quando o menino suplica ao pai que acredite que seria levado à morte pelo rei dos Elfos (somente a criança via e ouvia a criatura Erkonig), Schubert aumenta uma oitava a cada repetição do pedido desesperado do filho, suplicando ajuda enquanto a pai ainda carregava no colo.
Com texto de Goethe, Erlkönig apresenta-se com um narrador e três personagens: pai, filho e Rei dos Elfos. Este é um lied de difícil interpretação por isso mesmo. As várias personagens e narrador devem ser auditiva e visualmente distintas pelas suas diferenças tímbricas e expressões faciais. Muito trabalho para um cantor só!
Das dezenas de interpretações postadas no youtube, duas das mais belas. O primeiro com Anne Sofie Von Otter e orquestra; o Segundo com Bryan Terfel e, no piano, Malcom Martineau.
Aqui fica o texto original e a tentativa de tradução.
Der Erlkönig
Wer reitet so spät durch Nacht und Wind?
Es ist der Vater mit seinem Kind;
Er hat den Knaben wohl in dem Arm,
Er faßt ihn sicher, er hält ihn warm.
"Mein Sohn, was birgst du so bang dein Gesicht?"
"Siehst, Vater, du den Erlkönig nicht?
Den Erlenkönig mit Kron und Schweif?"
"Mein Sohn, es ist ein Nebelstreif."
"Du liebes Kind, komm, geh mit mir!
Gar schöne Spiele spiel' ich mit dir;
Manch' bunte Blumen sind an dem Strand,
Meine Mutter hat manch gülden Gewand."
"Mein Vater, mein Vater, und hörest du nicht,
Was Erlenkönig mir leise verspricht?"
"Sei ruhig, bleib ruhig, mein Kind;
In dürren Blättern säuselt der Wind."
"Willst, feiner Knabe, du mit mir gehn?
Meine Töchter sollen dich warten schön;
Meine Töchter führen den nächtlichen Reihn,
Und wiegen und tanzen und singen dich ein."
"Mein Vater, mein Vater, und siehst du nicht dort
Erlkönigs Töchter am düstern Ort?"
"Mein Sohn, mein Sohn, ich seh es genau:
Es scheinen die alten Weiden so grau."
"Ich liebe dich, mich reizt deine schöne Gestalt;
Und bist du nicht willig, so brauch ich Gewalt."
"Mein Vater, mein Vater, jetzt faßt er mich an!
Erlkönig hat mir ein Leids getan!"
Dem Vater grauset's, er reitet geschwind,
Er hält in Armen das ächzende Kind,
Erreicht den Hof mit Müh' und Not;
In seinen Armen das Kind war tot.
O REI DOS ELFOS
Quem cavalga assim tarde a meio da noite e ao vento?
É um pai que traz consigo seu filho;
Leva firme nos braços o menino,
Aperta-o contra o corpo e guarda-o aquecido.
“Filho, por que escondes com medo o rosto?”
“Não vês, pai, o Rei dos Elfos?
O Rei dos Elfos com sua coroa e cauda?”
“Meu filho, é só uma faixa de neblina.”
Ei, adorável criança, vem, vem comigo!
Tantos jogos divertidos podemos jogar juntos;
Há muitas flores coloridas na beira da praia,
E minha mãe tem guardadas várias roupas douradas.
“Pai, pai, não ouves?
Tudo o que o Rei dos Elfos me fala sussurrando?”
“Calma, fica calmo, meu pequeno:
Entre as folhas secas sopra o vento.”
Belo menino, não queres comigo vir?
Minhas filhas cuidarão de ti muito bem;
Minhas filhas estarão ao teu lado à noite
E vão dançar e cantar até dormires.
“Pai, pai, não vês ali
As filhas do Rei naquele canto escuro?”
“Filho, meu filho, do que vejo estou seguro:
Ali brilham os velhos e cinzentos salgueiros.”
Eu te amo, agrada-me esse belo rosto;
Mas se não vens por bem, trago-te a contra gosto.
“Pai, pai, agora ele puxa-me!
O Rei dos Elfos magoou-me!”
O pai, horrorizado, cavalga veloz,
Nos braços traz o agonizante menino;
Aflito e cansado, a casa alcança:
Em seus braços, morta a criança.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
As políticas e seus contextos
Quando pensamos em política educacional, é importante lembrar que a política sofre interferências e influências nos diversos contextos em que ela circula, e que não se efetiva exatamente como foi pensada. O texto de Mainardes apresenta conceitos centrais da abordagem do ciclo de políticas que enfatiza os processos "micropolíticos" e a ação dos profissionais que lidam com a política em nível local, promovendo a reflexão e o debate em torno dessa abordagem, bem como uma expressão sobre suas possibilidades para a análise de políticas educacionais brasileiras.
As políticas acontecem dentro de seus contextos: O contexto da influência, o contexto da produção da política (textos), o contexto da prática,etc., sendo que cada um deles é determinante nos encaminhamentos político-educacionais. É no contexto da influência que as políticas públicas são iniciadas e os discursos políticos são produzidos; No segundo contexto, os textos políticos representam a política e este são produzidos de acordo com os interesses da influência e vivenciados dentro do terceiro contexto, o contexto da prática, onde estão sujeitos a interpretação e recriação.
Neste contexto, são os professores e demais profissionais tem o papel de interpretar, reinterpretar e recriar as políticas educacionais, o que poderá mudanças no processo de implementação dessas políticas. É nele que a política pode vir a se colocar diferente do texto e do discurso, já que, segundo Foucault, os discursos são dependentes da história.
O quarto contexto, dos resultados e efeitos, é onde as políticas demosntram como seus efeitos contribuem com questões humanitárias de justiça, igualdade e liberdade individual, oportunidades e justiça social, sendo que esses efeitos, se de primeira ordem referem-se a mudanças na prática ou na estrutura e se de segunda ordem referem-se a mudanças nos padrões de acessos e oportunidades.
Já em seu último contexto, de estratégia política, aborda as atividades sociais e políticas que seriam necessárias para lidar com as desigualdades criadas ou reproduzidas pela política empregada.
sábado, 5 de setembro de 2009
solidão
qual sua definição?
Parece ser isso o q sinto
um imenso espaço vazio
cheio de lágrimas.
Às vezes, nem lágrimas
Só solidão,
mais nada,
acessando a alma,
tocando com seus dedos frios
dentro do meu coração.
Vibra o ar
doce
me sinto sozinha
e não gosto
O tempo demora pra passar
escurece o olhar
parece até que vai chover
mas é só solidão
Um olhar que nem vê
olhos que nem vejo
Dor de deixar ir, sem ferir,
quando não se pode mudar
A solidão
é não estar com quem se quer estar.
é não querer estar com quem se está
é estar com quem não se quer estar
é querer estar
domingo, 23 de agosto de 2009
Educação Neoliberal X Educação Revolucionária
A principal característica da escola, nessa concepção, é a de transmissora do conhecimento, tendo como função primordial, preparar o homem para o trabalho (leia-se mercado). A escola na concepção neoliberal, controlada, tem o papel de doutrinar, segundo a ideologia dominante e "oficial", funcionando como o modelo e reproduzindo as relações sociais e suas desigualdades, sendo a escola uma verdadeira vitrine do capitalismo neoliberal, onde a cidadania e consciência social são substituídas pelas leis que regem o código de defesa do consumidor e o aluno passa a ser o comprador da educação. Cabe a escola neoliberal atribuir à educação o papel de preparar, "qualificar" o "cidadão" para o trabalho e para as necessidades do mercado. Tratam o conhecimento e as ciências como propriedade, como capital.
Por outro lado temos a concepção transformadora e revolucionária de educação, segundo a qual, educar é preparar o ser humano para pensar; habilitá-lo a aprender a aprender, a buscar o conhecimento e aproximar o pensar do fazer.
Segundo essa concepção, a escola deve ser a mediadora do conhecimento e deve formar antes de tudo homem integral e emancipado. É aquela que sugere os caminhos, possibilita o acesso ao conhecimento a todas as 'classes sociais' com igualdade de oportunidades e indica as possibilidades decorrentes desse conhecimento, a fim de que o "aluno" desenvolva sua autonomia, aprendendo a aprender o que lhe transformará num homem emancipado, exercendo uma cidadania consciente, com senso crítico e desempenho de as suas funções políticas, civis e sociais.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Educação para além do aparelho ideológico.
Mesmo com todas as "funções" da escola pública em nosso contexto, ela precisa cumprir sua função de socializadora do conhecimento. É necessário "garantir um processo educativo que faça o sujeito refletir sobre si mesmo e sobre sua classe, contribuir para que as classes dominadas deixem de ser classe em si e passem a ser classe para si" (Sarpelli)
domingo, 2 de agosto de 2009
Silêncio-horror
O ar entra como fumaça...
Os olhos olham, divergem e convergem
Nos ouvidos ecoa um silêncio-horror
vazio...
Minha mente, tentando, em vão, entender
jorra desesperadamente todo tipo de pedido de socorro
Tento aceitar, mas dói
E sinto mais o silêncio horror,
que explode quase em morte
É desesperador...
como a escuridão,
quando um abismo está para surgir
É desesperador...
há medo
E só volto a respirar,
soluçando,
quando os gritos do silêncio-horror cessam
E eu não caí, nem morri
Dormi
sábado, 25 de julho de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Expressão vocal
"Cante, cante muito, sentindo o que você pode fazer com a voz. Diria que, de todos os comportamentos quânticos, este é o mais importante, em vista da incrível força que tem na reprogramação da memória celular."
(MENEZES, Jorge. Inteligência quântica: aplicações da teoria quântica na transformação humana. Porto Alegre / RS. Besouro BOX. 2006. p. 103)
A voz é o som básico produzido pela laringe, por meio da vibração das cordas (tecnicamente chamada de pregas) vocais e possui características e qualidades que variam de pessoa para pessoa. Existem fatores que exercem influências nas vozes das pessoas, dentre eles podemos destacar: as características físicas, condições de saúde, fatores psico-emocionais e fatores sócio-culturais.
A voz expressa as condições individuais (físicas ou emocionais). Se a pessoa não estiver em condições saudáveis, a voz deixará transparecer algum problema, podendo vir a comprometer a fala e a comunicação. Além de expressarem as condições físicas das pessoas, os problemas vocais também estão relacionados a aspectos emocionais.
Em "Voz Falada, Voz Cantada - (ESTIENNE, F. "Voz falada, Voz Cantada - Avaliação e terapia". RJ. Revinter. 2004), a fonoaudióloga Françoise Estienne faz uma abordagem não apenas técnica, mas também um tanto humana em relação ao tratamento da voz e sua relação com as emoções e com o ser.
Sabemos que a voz, o produto final da voz está tão ligada a fatores subjetivos e psicológicos,quanto aos aspectos físicos da laringe, o órgão da voz, e que a voz pode ser entendida e definida como o "produto de um modo de fazer resultante de um modo de ser". Sendo assim, é possível interpretar uma voz abafada, sufocada, por exemplo, como evidências de um corpo e alma reprimidos; como efeito de problemas emocionais, auto estima, etc... Porém, como diz Estienne, a avaliação e terapia da voz devem ser concebidas como um processo preciso, com critérios de avaliação, objetivos e prazos, de comum acordo com o "paciente", salientando que, ao trabalhar a voz, estarão sendo trabalhados aspectos emocionais e psicológicos da pessoa (assim como, pode ser que,trabalhando o psicológico, trate-se também da voz) , e que os resultados desse tratamento repercutirão no todo emocional, uma vez que a voz pode ser encarada como um meio que libera e canaliza as emoções.
Quando o físico, autor de "Inteligência Quântica" coloca o canto (a expressão vocal) como sendo a principal atividade que levará a reprogramação da memória celular de uma pessoa, justifica essa afirmação pelo fato de que a física moderna reconhece atualmente que o som e as vibrações são a origem da matéria elementar que constitui tudo o que existe no universo. Expressando oralmente o que há em seu interior, a pessoa estará exteriorizando seu som interior, sua essência. "Todo corpo guarda um som interior. Todo ser é um instrumento, e a engrenagem da comunicação acontece na naturalidade de como é tocado, na naturalidade com que comunica seu som ao exterior".
Para Estienne, "o trabalho vocal torna-se ocasião de entrar em contato consigo mesmo" reconhecendo seus bloqueios e anseios e, quem sabe, citando Jorge Menezes, curar a si mesmo, reprogramando seu interior e sua alma.
Do ponto de vista técnico, há de se buscar nessa re-educação, o tratamento da voz baseado nas queixas da pessoa em relação a sua voz, fazendo com que fique claro (no decorrer do tratamento) os aspectos da voz que ela deseja melhorar ou conquistar, a fim de se estabelecer os objetivos, as etapas e os exercícios do trabalho a ser realizado.
Há vários critérios técnicos e distintos em relação à voz falada e à voz cantada, em relação à qualidade do funcionamento e conforto da voz. Como já foi dito, é preciso fazer uma avaliação baseada nesses critérios afim de promover uma troca capaz de fazer a pessoa refletir sobre sua voz. São vários os critérios que determinam se uma voz é (está) ruim ou se é uma boa voz, como por exemplo, a questão da homogeneidade: enquanto uma boa voz é estável e não se degrada durante a emissão, ou de acordo com o tempo (em relação ao momento do dia, por exemplo), uma má voz é desigual nos diversos períodos do dia e varia conforme o estado geral da pessoa de maneira exagerada (não conseguindo cantar de manhã, cansando no fim do dia, tornando-se rouca pouco tempo depois de um tempo x fonação). Enfim, são várias as avaliações a serem feitas tanto na voz falada como em voz cantada, sendo que quando se trata de voz cantada, diversas e numerosas são as particularidades a serem observadas. Um bom exemplo dessas particularidades são os registros e as passagens desses registros. Para voz cantada usa-se 3 registros: graves (encontram-se na região abdominal), médio (região peitoral), agudo (na região do crânio). Pelo fato de se transitar por estes 3 registros o tempo todo quando se está cantando, a passagem de um registro para o outro deve ser bem ajustada para que a sonoridade não fique deficiente.
É preciso conhecer bem as etapas da produção da voz e também o funcionamento de cada órgão responsável, as cavidades de ressonância afim de se compreender as modificações que se pode trazer, trabalhando cada detalhe. As principais cavidades de ressonância são : a faringe, a laringe, a língua, o véu palatino, a mandíbula e a cavidade bucal, os lábios as bochechas, as fossas nasais e a rinofaringe. As cavidades de ressonância têm um papel fundamental na produção do som, pois é nelas que ocorrem as modificações do som fundamental produzido na laringe. Comparando a um instrumento, poderíamos dizer que as cavidades de ressonância da voz funcionam como a caixa de um violão. Nada adiantaria vibrarmos as cordas de um instrumento isoladamente, pois produziria um som “pobre”.
Lembrando que o corpo físico e psíquico participam da produção da voz falada e da voz cantada, percebo a dificuldade que as pessoas tem, umas mais outras menos, em fazer uso da voz de maneira adequada e satisfatória (para os outros e para si mesmas) pois esta, antes de técnicas e exercícios, está ligada a fatores subjetivos inconscientes que normalmente a própria pessoa desconhece sobre si mesma. Creio que seja realmente possível que o conhecimento, a terapia e os exercícios ajudem a melhorar a voz e a equilibrar os fatores emocionais que, quem sabe, estejam comprometendo o funcionamento da mesma e a plena existência da pessoa.
Resta a dúvida: A voz como fronteira entre o interno e o externo, ao seu natural (ignorando técnicas e aprendizado sistemático), dependeria exclusivamente de fatores psicológicos e emocionais para atuar? Sem o conhecimento técnico necessário, seria possível uma pessoa vocalmente comum aprender a cantar?
sábado, 11 de abril de 2009
Amar é doar o que sobra em você - amor
Quando fazemos uma coisa pelos outros
não porque queremos, mas porque cedemos
ficamos com a sensação de que temos um crédito com a pessoa
e arriscamos, a qualquer tempo, nos sentirmos no direito de cobrar o crédito
Já, se pedimos (amor),
e o recebemos e aceitamos,
depois nos sentimos em dívida
E, dívida de amor é aberração.
pode virar ódio
O amor nunca deveria ser encarado e aceito como obrigação
Quem "ama" e se doa em detrimento de si mesmo
vive sempre com a sensação de perda
que tomará suas proporções no momento em que o "amor" acabar
Então... doar-se, contrariado, é perigoso
Ceder à "pressão" do outro é burrice
E as aspas representam aqui um sentido duvidoso de interpretação.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
Os segredos da Lua
de repente me dou conta
de que pouco sei sobre você
e o que percebo são apenas reflexos
(julgamento baseado em sensações)
enfraquecidos, nada consistentes
como o reflexo da lua na água
O que posso ver, de fato,
é a imagem da lua
o que a distância me permite
na medida que meu esforço alcança
Mas não sei o que realmente acontece
Assim como o que percebo da lua
são inofensivas mensagens de luz
e podem estar acontecendo explosões gigantescas lá
Enfim, é proporcional à ausência e distância um do outro
Não à confiança que temos
Mas ela, que enxerga toda a noite com olhos brilhantes
sabe bem o que acontece contigo
sabe dos teus sentimentos, o que te move
sabe, talvez, a resposta para tantas perguntas minhas
Gostaria de ter a confiança da lua
para, quem sabe, conhecer melhor você e eu
ouvir dela nossos segredos... que ela, certamente, guarda