Haja coração... a história desse lied (tanto a poesia quanto a melodia) é muito famosa e marca uma época muito na história da música.
Este poema é inspirado no poema de mesmo nome de Goethe (1749 – 1832) que narra a história do Rei dos Elfos (Erlkönig) que captura de um pai seu filho em plena cavalgada levando a criança à morte.
Franz Schubert (1797 – 1828) escreveu um belíssimo lied baseado nos versos de Goethe.
No ápice, quando o menino suplica ao pai que acredite que seria levado à morte pelo rei dos Elfos (somente a criança via e ouvia a criatura Erkonig), Schubert aumenta uma oitava a cada repetição do pedido desesperado do filho, suplicando ajuda enquanto a pai ainda carregava no colo.
Com texto de Goethe, Erlkönig apresenta-se com um narrador e três personagens: pai, filho e Rei dos Elfos. Este é um lied de difícil interpretação por isso mesmo. As várias personagens e narrador devem ser auditiva e visualmente distintas pelas suas diferenças tímbricas e expressões faciais. Muito trabalho para um cantor só!
Das dezenas de interpretações postadas no youtube, duas das mais belas. O primeiro com Anne Sofie Von Otter e orquestra; o Segundo com Bryan Terfel e, no piano, Malcom Martineau.
Aqui fica o texto original e a tentativa de tradução.
Der Erlkönig
Wer reitet so spät durch Nacht und Wind?
Es ist der Vater mit seinem Kind;
Er hat den Knaben wohl in dem Arm,
Er faßt ihn sicher, er hält ihn warm.
"Mein Sohn, was birgst du so bang dein Gesicht?"
"Siehst, Vater, du den Erlkönig nicht?
Den Erlenkönig mit Kron und Schweif?"
"Mein Sohn, es ist ein Nebelstreif."
"Du liebes Kind, komm, geh mit mir!
Gar schöne Spiele spiel' ich mit dir;
Manch' bunte Blumen sind an dem Strand,
Meine Mutter hat manch gülden Gewand."
"Mein Vater, mein Vater, und hörest du nicht,
Was Erlenkönig mir leise verspricht?"
"Sei ruhig, bleib ruhig, mein Kind;
In dürren Blättern säuselt der Wind."
"Willst, feiner Knabe, du mit mir gehn?
Meine Töchter sollen dich warten schön;
Meine Töchter führen den nächtlichen Reihn,
Und wiegen und tanzen und singen dich ein."
"Mein Vater, mein Vater, und siehst du nicht dort
Erlkönigs Töchter am düstern Ort?"
"Mein Sohn, mein Sohn, ich seh es genau:
Es scheinen die alten Weiden so grau."
"Ich liebe dich, mich reizt deine schöne Gestalt;
Und bist du nicht willig, so brauch ich Gewalt."
"Mein Vater, mein Vater, jetzt faßt er mich an!
Erlkönig hat mir ein Leids getan!"
Dem Vater grauset's, er reitet geschwind,
Er hält in Armen das ächzende Kind,
Erreicht den Hof mit Müh' und Not;
In seinen Armen das Kind war tot.
O REI DOS ELFOS
Quem cavalga assim tarde a meio da noite e ao vento?
É um pai que traz consigo seu filho;
Leva firme nos braços o menino,
Aperta-o contra o corpo e guarda-o aquecido.
“Filho, por que escondes com medo o rosto?”
“Não vês, pai, o Rei dos Elfos?
O Rei dos Elfos com sua coroa e cauda?”
“Meu filho, é só uma faixa de neblina.”
Ei, adorável criança, vem, vem comigo!
Tantos jogos divertidos podemos jogar juntos;
Há muitas flores coloridas na beira da praia,
E minha mãe tem guardadas várias roupas douradas.
“Pai, pai, não ouves?
Tudo o que o Rei dos Elfos me fala sussurrando?”
“Calma, fica calmo, meu pequeno:
Entre as folhas secas sopra o vento.”
Belo menino, não queres comigo vir?
Minhas filhas cuidarão de ti muito bem;
Minhas filhas estarão ao teu lado à noite
E vão dançar e cantar até dormires.
“Pai, pai, não vês ali
As filhas do Rei naquele canto escuro?”
“Filho, meu filho, do que vejo estou seguro:
Ali brilham os velhos e cinzentos salgueiros.”
Eu te amo, agrada-me esse belo rosto;
Mas se não vens por bem, trago-te a contra gosto.
“Pai, pai, agora ele puxa-me!
O Rei dos Elfos magoou-me!”
O pai, horrorizado, cavalga veloz,
Nos braços traz o agonizante menino;
Aflito e cansado, a casa alcança:
Em seus braços, morta a criança.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
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