domingo, 18 de outubro de 2009

O professor pesquisador e a pesquisa da prática

Conhecer para transformar, eis o objetivo.
Devido a complexidade humana e a provisoriedade do conhecimento, a atividade de ensinar precisa ser continuamente refletida e ressignificada.
O professor precisa, continuamente, ser reflexivo e investigar sua prática, esforçando-se para que haja sempre e conscientemente a comunicação entre o conhecimento científico e suas formas mais pessoais e ja consolidadas de conhecimento (da prática cotidiana), procurando evitar que sua prática profissional transforme-se num praticismo, tão prejudicial ao trabalho pedagógico ou a qualquer atividade em que, para que se obtenha sucesso, haja a necessidade de encontrar soluções eficientes para novas situações-problema.
Nessa prática, é necessário que o professor encontre meios de desestabilizar crenças e práticas cristalizadas de seu cotidioano profissional que são, muitas vezes, desprovidas de um embasamento teórico estrutural e que pode estar sendo prejudicial à sua atividade pedagógica, já que o mesmo pode acabar assumindo essas crenças e práticas como verdades inquestionáveis e por sua vez, limitadoras, quando se tornam um empecilho que dificulta a mudança frente a novas situações e necessidades.
Através da pesquisa da prática e ação mediante os resultados, o professor-pesquisador é capaz de transformar sua prática, buscando sempre a reflexão e a investigação, necessitando, para isso, metodologicamente distanciar-se dela para lançar o olhar do questionamento; para pensar a prática, buscando interação entre seu conhecimento pessoal e compartilhado e o conhecimento científico, o que deverá levar a projeção de novas ações.
Busca-se a ciência para ao esclarecimento de questionamentos e a resolução do problema, o qual uma vez resolvido, requer constante reflexão, que por sua vez, gera novos questionamentos.
A ciência hoje precisa considerar a subjtividade como inevitável na construção do conhecimento, pois os pensamentos, crenças e percepções do pesquisador estão inseridos já nas escolhas do mesmo e se expressam ao longo de sua execução. Para que haja validade do trabalho de pesquisa da prática como trabalho científico, é preciso que haja o reconhecimento de uma epistemologia da prática profissional, que ao contrário da racionalidade técnica da pesquisa positivista, admita essa prática (profissional) como um lugar de produção dos saberes, mas com instrumentos de validação diferentes dos usados para pesquisa acadêmica tradicional, pois os estudos dessa prática (docente) são orientados pelo paradigma interpretativo, compreensivo e reflexivo que difere do tipo de pesquisa com abordagem quantitativa.
O professor detém o conhecimento adquirido através da prática, do dia a dia, da investigação e auto-avaliação; um conhecimento pessoal e subjetivo, que somado ao saber sistematizado e formal, é a fonte para sua própria pesquisa e construção (transformação) do conhecimento diretamente relacionado com seu próprio trabalho e cotidiano, que poderá transformar e melhorar sua atuação, tornando realmente válido o seu trabalho, na medida em que, assumindo conscientemente suas responsabilidades, cumpre de maneira realmente significativa o que se propõe.

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