terça-feira, 29 de junho de 2010

"promete que não vai se apaixonar por mim?"

É incrível como a minha paz está diretamente ligada ao amor!
Quando, de algum modo, existe amor fluindo, existe a paz.
Mas quando fica assim: confuso;
Energia estagnada, interrompida...
...a paz já não se mantém
as informações entram em confronto,
batem de frente com os sentimentos
É guerra, batalha de aceitação;
É juntar os pedaços e tentar sobreviver
...esperar crescer

Mas eu não deixo de acreditar nas pessoas.
Sempre espero.
E, sempre vou esperar o melhor delas
(se o melhor delas é o melhor pra mim, não sei)

É bem desconfortável.
Mas quem disse que o conforto é o melhor?
...quero sempre crescer como ser humano.
E, que seja da melhor forma.
... seja como for
... com conforto ou desconforto
... com ou sem choro

Há um turbilhão de dúvidas dentro da minha cabeça.
Frustração
mesmo assim, não consigo deixar de acreditar nas pessoas... e na vida

segunda-feira, 28 de junho de 2010

"Tous les matins du monde"

Música para quê?

Diálogo final (e mais significativo) do filme  "Todas as manhãs do mundo" com Jean-Pierre Marielle e Gérard Depardieu:

(...)
>Posso lhe pedir uma última lição?
>>Pode tentar uma primeira lição?

... 

>>Quero falar. A música está para dizer aquilo que a palavra não pode. Por isso não é de tudo humana.
Já descobriu que não está feita para o rei.
>Descobri que estava feita para Deus.
>>Pois equivocou-se. Deus fala.
>Para o ouvido?
>>O que não se pode dizer, não é para os ouvido, sr.
>Por dinheiro?
A gloria?
O silêncio?
>>O silêncio é o oposto da linguagem.
>Os músicos rivais?
O amor?
>>Não.
>A perda do amor?
>>Não.
>O abandono.
>>Não e não.
>Por uma barquinha dado ao invisível?
>>Tampouco.
O que é uma barquinha?
Algo que se vê. Tem sabor. Consome-se. Não é nada.
>Não sei senhor.
... não sei mais.
Aos mortos lhes oferece um copo...
>>Também se consome.

...

>Um abrevadero para os que não tem linguagem.
*
Para o assombro dos meninos.
*
Para suavizar as marteladas dos sapateiros.
*
Para o estado que precede a infância, quando não tínhamos fôlego nem luz.

>>Faz um instante ouviu-se suspirar.
Logo vou morrer... E minha arte comigo.
Só meus ganços e minhas galinhas sentirão saudades.
Confiarei-lhe um par de melodias... capazes de despertar aos mortos.
Vamos! Faz-nos falta um gole.
Temos que procurar a viola de minha difunta filha.
(...)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

E esse término eterno que nunca termina?
Por qual dor estás chorando?

O q te sufoca e te escraviza é o mesmo mal de tantos:
a ilusão de se ter algo "tão bom" (que lhe custa o ar);
a constatação do quanto se pode existir;
a aberração distorcida dos conceitos;
a cultura do "amor" e do medo... do poder.

Esperneias, debates-te como um peixe... há milênios

Em ti não dói mais que nos outros
só que dói em ti e isso não combina com tantos sabores

Há um jeito diferente de lidar com essa dor que te aflige:
enfrentar a dor, sentindo-a, em todos os sentidos
olhando-a com os ouvidos
percebendo as cores que existem
além da barreira do medo

Não sofrerás menos
Mas terá valido a pena cada sorriso.

E a sensação de estar vivo apesar de tudo,
quando constatas que não precisa poder,
é tudo o que precisas ter.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Agora,
em que a mínima da a volta completa
cada momento soa completo,
e os segundos são tempos inteiros.
Os compassos,
com muitas pausas existenciais,
seguem,
um após o outro,
interminavelmente,
o princípio da existência.

Assim

Gostar de você é tão natural
algo simples

Era pra ser natural me ouvir falar
Nada de anormal ou eventual
É simples
Sem necessidades especiais
Sem ter que se posicionar
nem tomar decisões
nem andar de mãos dadas

Gostar de você
é querer ficar perto e ficar feliz quando o recíproco acontece
sem rótulos ou regras ou protocolos
É só isso...

terça-feira, 1 de junho de 2010

espaços

Como os buracos do queijo
os vazios existênciais são imprescindíveis para a existencia
universos particulares
microcosmos que justificam existir à luz, na sombra

O coração não se compromete...
é preciso a ruptura, para brotar?
Há uma sede de estímulos sensoriais que não respondem
na ponta dos dedos,
das profundezas do que for mais tocante,
delicado,
no íntimo das indagações mais perspicazes
sem palavras que descrevam o que é aquilo tudo
que brotou (ou que soterrou)
depois da ingestão...
do depois
e do depois
e do enfim


Continua tudo igual
sutilezas
um mundo incrível e sedutor por ser desbravado pelo que a razão não pode descrever

um dia inteiro, repleto de segundos
e respirações em que o cheiro permanece e as coisas quase perdem o sentido
pois o tempo e o espaço não estão dispostos de uma maneira interpretável
quando as coisas, as pessoas chegam e o momento, passou

Olha-se com inquietação comum
e o espaço se torna comum
e o tempo não espera nada... consome o espaço

O tempo consome o espaço!
As coisas apenas não tem mais a mesma dimensão
não como ambos, mas agora como espaço comum  a todos
em que cada um tem um segredo que não faz sentido algum a mais ninguém
exceto, talvez, pelas lembranças do que está longe de ser assimilado

Não há mais aquele tempo e espaço
Há o agora, sempre em flor
Em que cada um é seu próprio espaço
O que fazer agora, neste tempo?
Como se mover agora, neste espaço?

:D