"
Seus olhos balançam irregulares,
eu também, oscilo e caio no círculo
conforme: areno arenoso.
Desfazem-se os grandes blocos encaixados;
entre seus cantos angulares
a fenda que os separa é causa (paciente)
do contorno suave
da palavra morna desguilhada
da morenice ornada destes olhos e este rosto.
è o compasso e o contorno das inúmeras voltas
que nos agrupam no centro radiante.
Sob esta luz
espelho em tua clareza o princípio do eco:
sempre começo-fim interminavelmente."
(por Fausto R. A.)
domingo, 9 de dezembro de 2007
sábado, 8 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
"CAENTE
A desproporção entre o céu negro
e as letras prenhas, inchadas
sortidas de cansaço
é a dúvida - que é quase o equilíbrio da vida.
Busca de palavras: sempre disputando,
assumindo (...) sofrendo à toa.
A noite quieta, precisão profunda,
espessa e completa,
ausente às iniciações e fronteiras do pensamento:
Sim, os poetas são aqueles que cavam a noite.
Tão sublime e inesgotável o poço do céu escuro
oco de estrelas caentes:
moedas amarradas a pedidos ou esperança de inspiração
que se afundam
pelo mesmo motivo da estranheza de sua pessoa
estar sempre à borda do abismo."
(Fausto R. A.)
e as letras prenhas, inchadas
sortidas de cansaço
é a dúvida - que é quase o equilíbrio da vida.
Busca de palavras: sempre disputando,
assumindo (...) sofrendo à toa.
A noite quieta, precisão profunda,
espessa e completa,
ausente às iniciações e fronteiras do pensamento:
Sim, os poetas são aqueles que cavam a noite.
Tão sublime e inesgotável o poço do céu escuro
oco de estrelas caentes:
moedas amarradas a pedidos ou esperança de inspiração
que se afundam
pelo mesmo motivo da estranheza de sua pessoa
estar sempre à borda do abismo."
(Fausto R. A.)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
"Obsessão
Selva, me apavoras como as catedrais.
Teu órgão urra e meu coração maldito
Responde a todos os teus ecos sepulcrais,
Câmara de luto vibrando em velho rito.
Mar, eu te odeio! Teu oco, teu tumulto
São meus, bem meus; eu ouço o riso, o esgar
Do homem vencido, o choro, o insulto
Ouço, na gargalhada enorme do mar.
Como eu te amaria, ó noite! sem estrelas
Pra salpicar a fala de lugar comum!
Eu procuro o vazio, o negro, o nu!
Mas esta escuridão também é uma tela.
No meu olho reluz, comigo vem morar,
Daqueles que eu perdi, o querido olhar."
(Charles Pierre Baudelaire)
Teu órgão urra e meu coração maldito
Responde a todos os teus ecos sepulcrais,
Câmara de luto vibrando em velho rito.
Mar, eu te odeio! Teu oco, teu tumulto
São meus, bem meus; eu ouço o riso, o esgar
Do homem vencido, o choro, o insulto
Ouço, na gargalhada enorme do mar.
Como eu te amaria, ó noite! sem estrelas
Pra salpicar a fala de lugar comum!
Eu procuro o vazio, o negro, o nu!
Mas esta escuridão também é uma tela.
No meu olho reluz, comigo vem morar,
Daqueles que eu perdi, o querido olhar."
(Charles Pierre Baudelaire)
domingo, 2 de dezembro de 2007
Fale por mim, Zé:
Lamento Sertanejo
Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga, do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Viver na cidade
Sem ficar contrariado
Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão
Boiada caminhando a esmo
Lamento Sertanejo
Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga, do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Viver na cidade
Sem ficar contrariado
Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão
Boiada caminhando a esmo
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