domingo, 31 de outubro de 2010

amor próprio?

Em nome de algo aparentemente imprescindível
as pessoas seguem infladas de orgulho
tão negativo quanto falta de "amor", é o excesso
sobretudo se tratando de amor por si próprio

A humanidade, tão cheia de si
tão receosa quanto perversa,
receosa quando se trata de aproximação
perversa quando age em função de si própria,
"Segue-se-atropelando-se"

"Eu sou mais eu!"
expressão individualista
tanto quanto falar em amor-próprio
que aliás é pura vaidade e egoísmo

"Ama-te excessivamente a ti mesmo?"
esquece-se, a criação, do Criador

Ideologia=preconceito

"A unanimidade de opinião é um dos mais nefastos fenômenos da era da sociedade de massas. Destrói a vida social e pessoal, que são baseadas no fato de sermos diferentes por natureza e por convicção. Aceitarmos a diversidade de opinião nos protege de certezas fanáticas que paralisam toda e qualquer discussão reduzindo as relações as de um formigueiro" (Hannah Arendt)

sábado, 30 de outubro de 2010

Censura

Ato falho...
que diz o que não quer
ao aproximar a vida e a palavra
que escapa do inconsciente
diretamente para a taça de sorvete
saborosamente ao desejo de quem quer provar

Ato falho,
foge da razão que censura,
expõe o que se quer omitir
indicando o contrário,
justamente,
o que "não queremos",
nos mesmos,
enxergar

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

impermanência

Cada momento apenas existe em seu instante
No seguinte, já faz parte da eternidade
de onde tudo vem e para onde tudo vai

Eis que a impermanência é lei
não apenas para casos encerrados
e momentos fechados, com começo e fim demarcados
Tudo é impermanente a todo instante
A cada piscar de olhos
o que era não é mais
e o que não era passa a ser
o que logo em seguida deixará de ser

O que move a humanidade
senão a "certeza" (ilusão)
de que os rios sempre seguirão para o mar
e que a terra girará,
segundo após segundo,
numa velocidade constante?

Todos querem ter certeza de tudo

Não é tão fácil
nem tudo é perfeito
ninguém é melhor que ninguém
Por que as pessoas julgam e se fecham para o "novo"
como uma ostra se fecha em sua casca,
na certeza de que será atacada?

Medo da incerteza?


*********************************************************


Busco um lugar, um abrigo, um refúgio
algo nessa vida que realmente valha a pena acreditar

Posso chorar agora...
estremecer com minhas ilusões de sobrevivência
Pode ser que tentem me armar
Pode ser que eu consiga mudar quase nada
Posso entristecer por não conseguir me compadecer
Mas nada me impedirá de continuar tentando

Eleições... mais um tempo

... as pessoas (a maioria, no caso), obrigadas a votar, votam, e legitimam cada vez mais a centralização do poder

Um dia vai haver outra realidade
A concretização da democracia
A realidade da consulta popular
Onde as pessoas irão às urnas ou às ruas, ou sei lá onde,
dizer sim ou não,
decidindo suas próprias leis
Não haverá eleição de parlamentares,
de um alguém pra representar tantos
A decisão será "sim" ou "não"
e as pessoas não terão "um" culpado pra apontar
num país onde todos procuram alguém pra condenar
(me condenem! :p)

Pode ser que seja dolorido no começo
Quase como que feito criança que
mesmo tendo ouvindo um aviso de
"é perigoso!",
seduzida,
brinca com fogo,  e sente os efeitos

Enquanto não assumirmos as responsabilidades de nossas decisões e ações,
e tivermos um "representante " pra jogarmos a culpa
e nos sentirmos vitimados;
enquanto não sentirmos, na pele, as consequências (boas e ruins) de nossas escolhas;
enquanto não observarmos que tudo é transitório
e que temos a possibilidade de mudar tudo;
enquanto não nos assumirmos responsáveis,
seremos eternos imaturos,
sem consciência social,
sem consciência política,
sem consciência.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Raízes ( Renato Teixeira)



Galo cantou
Madrugada na Campina
Manhã menina
Tá na flor do meu jardim
Hoje é domingo
Me desculpe eu tô sem pressa
Nem preciso de conversa
Não há nada prá cumprir
Passar o dia
Ouvindo o som de uma viola
Eu quero que o mundo agora
Se mostre pros bem-te-vi
Mando daqui das bandas do rural lembranças
Vibrações da nova hora
Prá você que não tá aqui
Amanhecer
é uma lição do universo
Que nos ensina
Que é preciso renascer
O novo amanhece
O novo amanhece
Já tem rolinha
Lá no terreiro varrido
E o orvalho brilha
Como pétalas ao sol
Tem uma sombra
Que caminha pras montanhas
Se espelhando feito alma
Por dentro do matagal
E quanto mais
A luz vai invadindo a terra
O que a noite não revela
O dia mostra prá mim
A rádio agora
Tá tocando Rancho Fundo
Somos só eu e mundo
E tudo começa aqui
Amanhecer
é uma lição do universo
Que nos ensina
Que é preciso renascer
O novo amanhece
O novo amanhece

sinais

Palavras nos olhos
Surdez absoluta (se eu pudesse)
Quase desfigurada
pela energia que corrrói a alma
brotando no silêncio

Nós, amarras, correntes
que por hora estão e ficarão

Como dinâmica da dor
racionalmente...
ainda respirando
Sem desculpas,
Sem mentiras,
Sem dormir
Sem acordar!

E as notas que restaram
solícitas, se envolvem
socorrendo e pedindo socorro
Tarde demais
Prestes a fechar um ciclo
e começar de novo
tudo de novo
sei lá quando
sei lá como
sei lá onde
até acabar

terça-feira, 5 de outubro de 2010

livre

Linda é a tua liberdade,
E pensar que minhas prisões já quiseram te prender
Mas o prazer vem mesmo é da liberdade
Da tua liberdade em se expressar e fazer o que quiser
Da minha liberdade em ser ou não ser
e podermos mudar isso a qualquer momento
Não se prenda, revele-se
A liberdade de ser qualquer um assusta
Seja o que for, com ou sem receio
Há riscos
O mesmo risco de existir, nascer, respirar.
Só é preciso respirar pra seguir em frente
E a vida te mostra o quão cheia de detalhes é
detalhes que fazem toda diferença
e podem mudar tudo de novo

domingo, 3 de outubro de 2010

opção

No calor dos acontecimentos
Há omissões
E necessidade de respostas
no ritmo das emoções
Imediatismo sem reflexão
Mais rápido do que a racionalidade pode
Impreciso
Transitório
Enlouquecedor

PIG - Partido da Imprensa Golpista



Este vídeo foi produzido com trechos de editoriais de jornais brasileiros logo após o golpe militar de 1º de abril de 1964.