quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mãos filósoficas

Você acontece no límbico
Só Deus sabe o que acontece quando te olho
Mãos filosóficas...
Queria não olhar
ignorar teu gênero, teu jeito...
nem tento

E o sorriso...
ah quando vc aciona esse sorriso, eu me rendo!
Se estou perto entro em transe
Melhor que transe
é estar quase inconsciente,
hipnotizada pelo andar,
pelo teu ritmo e teu som
pelo cheiro de bom malandro

Achei graça quando vc me estendeu a mão
oferecendo teu carinho, tua atenção
Gosto de estar perto quando você é você
com longos dedos pensantes
e olhos brilhantes

Olhei pra vc tanto tempo, naquela aula, enquanto o tempo passava
a música sincronizada com a imaginação
e eu atenta a cada detalhe de você
observando teus reflexos, teus gestos,
teu semblante pensante. absorvendo o mundo

ah... aquela música era um detalhe muito importante
era nosso movimento em meus pensamentos;
a única coisa que fisicamente nos mantinha conectados;
era nosso contato, nossa proximidade que existia através dela

Não importam as circunstâncias nem os amanhãs
o que existe é um agora magnético,
imantado pela delicadeza do ritmo que nos aproxima...

Assim ficamos... eu quase te chamando... e vc quase vindo

terça-feira, 18 de maio de 2010

Musicada

"Acordei bemol
tudo estava sustenido

Sol fazia
só não fazia sentido"

(Paulo Leminsky)

domingo, 16 de maio de 2010

... final de semana... evento
flashback dos olhares... da respiração, imóvel...
daquele universo onde ele e eu
tinhamos a doçura da compania um do outro
... do carinho ... da admiração


Quem é o lobo dos olhos brilhantes,
que dormiu no quarto ao lado sob meus sentidos
enquanto eu me virava pra todos os lados...
respirando, paradoxalmente,
alívio e contrariedade...

Acho que era esse o limite.

E o presente:aconchego

com a energia de todas suas interações .

terça-feira, 11 de maio de 2010

... ah, as tradições

FOLHA DE S. PAULO | TENDÊNCIAS/ DEBATES
|
Becas, borlas e jabôs
São Paulo, domingo, 24 de janeiro de 2010


TENDÊNCIAS/DEBATES


NAOMAR DE ALMEIDA FILHO


Becas, borlas e jabôs não garantem a excelência que justifica nossa existência. É preciso talento e produção acadêmica competente


NO INTRIGANTE ensaio "A Invenção das Tradições", Eric Hobsbawm mostra como se inventam tradições a partir de raízes históricas fictícias. Irônico, analisa rituais, brasões, corporações e até o saiote escocês. Curiosamente, esquece a mais legitimada matriz contemporânea de símbolos e signos culturais: a universidade.
Tradições universitárias têm sido inventadas e cultivadas no correr de quase dez séculos. Em se tratando de vestes rituais, são quatro linhagens.
A universidade escolástica mantém-se viva nas tradições clericais das universidades italianas e ibéricas. As vestes solenes das universidades ibéricas são ainda hoje negras e soturnas, recriando trajes das cortes mediterrâneas do século 17. Acompanham adornos indicadores de segmentos, nunca da universidade como um todo. Assim são as samarras, capuzes estilizados que não mais recobrem cabeças, que ostentam cores definidas para cada uma das faculdades.
A universidade britânica surgiu para a formação teológica da Igreja Anglicana. Chapéus ornamentados, capuchos, túnicas e capas coloridas são elementos identificadores de cada casa de ensino, mas não de escolas ou faculdades. Uma procissão acadêmica numa universidade anglo-saxã revela profusão de cores e formas, pois os docentes terão feito seu doutorado em diferentes instituições.
A universidade humboldtiana nasceu sob forte influência protestante, com raízes luteranas ou metodistas, sub-rogada pelo disciplinarismo prussiano. Nos seus trajes rituais, variados por universidades, e não por faculdades, predomina a cor cinza ou marrom. Agregam-se signos remanescentes do barroco alemão, introduzindo elementos como o arminho em semicapas que evocam uniformes militares.
A tradição francesa pouco valoriza a instituição universitária. A reforma bonapartista da educação concedeu às "grandes écoles" hierarquia mais elevada que à universidade. Por isso, na França, vestes talares levam ao extremo o domínio simbólico das faculdades, sob a forma de faixas, sobrepelizes, pelerines e adornos sobre uma beca negra, lisa ou plissada. O "jabeau", peitilho com rendas e brocados, encimado por gravatinha borboleta branca, moda entre os gentis-homens da "belle époque", completa o vestuário de gala acadêmica.
No Brasil, quando faculdades e escolas politécnicas foram fundadas no século 19, a influência francesa predominou como horizonte intelectual e estético. As primeiras instituições promovidas ao regime de universidade foram formadas pela unificação de faculdades.
Hoje, nas instituições universitárias brasileiras, a beca negra e lisa, com um tipo padrão de casquete quadrado com borla e jabô de renda bordada, predomina como veste talar para graduações, simulacro da tradição francesa.
Diferenciando os docentes, faixas, sobrepelizes e capinhas, estilizadas dos capuzes doutorais lusitanos, seguem a gramática de cores do contexto francês. Para distinguir o reitor, universidades brasileiras adotam uma cópia exata da samarra das faculdades conimbricenses, reinventada na cor branca. Com o branco, síntese de todas as cores, talvez se pretenda simbolizar o poder maior da reitoria sobre as faculdades e suas cores.
Recentemente, no Salão de Atos de Coimbra, os reitores das universidades brasileiras reuniram-se para fundar o Grupo Coimbra Brasil. Quase todos em suas becas pretas e samarras brancas, muitos com sobrepeliz de arminho, jabô, faixa, capelo ou borla. Aí descobriram que os reitores da Universidade de Coimbra, fonte de nossa tradição universitária, usam somente um conjunto de calças e jaqueta, negras e justas, pois despojam-se dos signos de suas faculdades ao assumir o cargo maior da instituição.
Temos aqui uma questão de duplo sentido: político e antropológico. A universidade brasileira continuará a se reconstruir como instituição de conhecimento. Para tanto, reforçaremos vínculos com universidades de outras linhagens que conosco compartilham os valores da civilização.
Mas isso não nos obriga a imitar suas tradições nem a criar, a partir delas, simulacros. Os que escolhem fazê-lo precisam saber a que remontam e o significado de rituais e vestes, sobretudo por seu impacto no imaginário social.
Becas, borlas e jabôs são apenas roupas que, em eventos solenes, representam pompa e tradição. Sozinhos, não garantem a excelência que justifica, à sociedade, nossa existência. Isso se conquista com talento, trabalho cotidiano e produção acadêmica competente. (G.N.)


NAOMAR DE ALMEIDA FILHO, 57, doutor em epidemiologia, pesquisador 1-A do CNPq, é reitor da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e autor, com Boaventura de Sousa Santos, de "A Universidade do Século XXI: Para uma Universidade Nova" (Almedina, 2009).

Seguir... manter-se indo...

“Ela está no horizonte (...) Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.”

Eduardo Galeano - As Palavras Andantes



E de tudo, ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...”

Fernando Sabino

Transforme (se)

“Há um tipo de educação que tem por objetivo produzir conhecimentos para transformar o mundo, interferir no mundo, que é a educação científica e técnica. Mas há uma educação – e é isso o que chamo realmente de educação – cujo objetivo não é fazer nenhuma transformação no mundo, é transformar as pessoas.”
Paulo Freire


*********************************************************************************

“Quem tenta ajudar uma borboleta
a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto
sair da semente o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas.
Tem de acontecer de dentro para fora.”


Rubem Alves

Conhecer, saber? Saber o quê?

A maior contribuição de conhecimento do século XX foi o conhecimento dos limites do conhecimento. Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza. É preciso, portanto, prepararmo-nos para o nosso mundo incerto e aguardar o inesperado.”

Edgar Morin
- Trecho retirado do livro “Cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento

///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

“A era que virá há de nos mostrar o caos por detrás da lei.”

J. A. Wheeler

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná em 30/04/2010




6.57'

terça-feira, 4 de maio de 2010

Descrição de um beijo

Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

     Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.


Julio Cortázar, O jogo da amarelinha (Cap. 7)

Não te arrependas... :D

Se te casas, arrependes-te;
se não te casa, arrependes-te também;
cases-te ou não te cases, arrependes-te sempre.
Ri-te das loucuras do mundo e irás arrepender-te;
chora sobre elas, e arrependes-te também;
ri-te das loucuras do mundo ou chora sobre elas,
e de ambas as coisas te arrependes;
quer te rias das loucuras do mundo,
quer chores sobre elas irás sempre arrepender-te.
Acredita numa mulher, e irás arrepender-te,
não acredites nela e arrependes-te também;
acredites ou não numa mulher, arrependes-te de ambas as coisas.
Enforca-te, e arrependes-te;
não te enforques, e na mesma te arrependes.
É esta, meus senhores, a quintessência de toda a sabedoria da vida.
 Søren Kierkegaard