quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Cada momento apenas existe em seu instante
No seguinte, já faz parte da eternidade
de onde tudo vem e para onde tudo vai

Eis que a impermanência é lei
não apenas para casos encerrados
e momentos fechados, com começo e fim demarcados
Tudo é impermanente a todo instante
A cada piscar de olhos
o que era não é mais
e o que não era passa a ser
o que logo em seguida deixará de ser

O que move a humanidade
senão a "certeza" (ilusão)
de que os rios sempre seguirão para o mar
e que a terra girará,
segundo após segundo
numa velocidade constante?
Todos querem ter certeza de tudo

Não é tão fácil
nem tudo é perfeito
ninguém é melhor que ninguém
Por que as pessoas julgam e se fecham para o "novo"
como uma ostra se fecha em sua casca, na certeza de que será atacada?
Medo da incerteza?

Busco um lugar, um abrigo, um refúgio
algo nessa vida que realmente valha a pena acreditar

Posso chorar agora...
estremecer com minhas ilusões de sobrevivência
Pode ser que tentem me armar
Pode ser que eu consiga mudar quase nada
Posso entristecer por não conseguir me compadecer
Mas nada me impedirá de continuar tentando

sábado, 30 de agosto de 2008

*

Como
Simplesmente as coisas mudam
Assim, fácil
O que era bom fica nem tanto
E o que afligia perde a força
porque nada é pra sempre
Nem o sofrimento

Não serve apenas
em tempos ruins, como consolo
É bom observar isso
também momentos de alegria
que não basta ater-se a felicidade
e deixar-se distrair por ela
Pois a impermanência de tudo é para todos

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Jardim da Fantasia

Bem te vi, bem te vi
Andar por um jardim em flor
Chamando os bichos de amor
Tua boca pingava mel

Bem te quis, bem te quis
E ainda quero muito mais
Maior que a imensidão da paz
Bem maior que o sol

Onde estás?
Voei por este céu azul
Andei estradas do além
Onde estará meu bem?

Onde estás?
Nas nuvens ou na insensatez
Me beije só mais uma vez
Depois volte prá lá.

Letra: Renato Teixeira
Intérpretes: Pena Branca e Xavantinho

Canção de um povo de um lugar

Todo dia o sol levanta
E a gente canta
O sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde
Quando a noite a lua amansa
E a gente dança
Venerando a noite

Letra: Caetano Veloso
Intérpretes: Pena Branca e Xavantinho

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Não saber o q é amar

Tristeza que me angustia
apertando-me a garganta
Acho que não sei amar
não sei se soube ou saberei

Mal ouço os passarinhos
ou percebo o colorido mais vivo
pouco levanto minha cabeça
procuro manter distãncia de seres humanos
pois qualquer contato é um risco de sofrimento
qualquer carinho
pode se tranformar em dor e aflição

De bom só tenho as referências
(ah, ouvi os contos de fadas!!!)
mas não tenho boas experiências com o amor

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

pedindo

Como estar preparada para amar?
Qual o segredo? Onde aprender?
Agora que o dia já amanheceu tantas vezes,
e aqueles tempos em que o sorriso era garantido ficaram tão longe
nada mais passa despercebido
Encarar a vida de frente exige tanto de mim

Com nós sufocantes amarrando a garganta
entre soluços e desesperos
vejo o tempo correndo e eu parada
vejo coisas diante de meus olhos
coisas imóveis, sem vida nem vontade
pelas quais me permito dominar
sem ação, nem reação!

Meus olhos espremidos
obedecem meu coração que não entende
não consegue conceber
não tem sequer noção
de por onde começar a procurar
nem de como continuar

e meu peito apertado e machucado
mal inspira, mal respira, mal sonha
Onde estará o caminho que perdi?

terça-feira, 10 de junho de 2008

O querer

Procuro não lembrar, não querer
Os pensamentos se impõem
e com eles, a inquietude e a dúvida
se dessa vez foi importante

Tomando como referência o antes,
talvez hajam dias difíceis pela frente
Debato-me como um peixe
sentindo a agonia por ter me deixado levar
pelo desejo indesejado...

Dúvidas e certezas
Mais um tempo imersa em meus infernos mentais
Grandes esforços tentando encontrar respostas
que para tantos parecem gritar
Chego a desacreditar
mas espero o momento de me surpreender

É quase um enigma
ao mesmo tempo que é quase óbvio
Onde estará o ponto inquestionável?
Quando chegerá o momento de compreender e assimilar?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Possibilidades improváveis, mas carinhos sem fim
pelos quais se regenera o tecido ferido pelo sonho incidente
que parece precisar ser apreciado
Algo a dizer, sem palavras
não mais que resquícios da presença fisica
que agora é insubstancial
Silêncio e compreensão, conexões veladas
somos munidos de paciência e ternura
A fonte de inspiração é a delicadeza dos fatos e a rebeldia
sem consolo... não precisamos
Pois cada minuto dedicado a todo o universo
significa que devemos cheirar a rosa e seguir em frente
Já que vamos encontrar nossos ecos
que ressoam na roda da vida, mundo a fora
indubitavelmente

domingo, 6 de abril de 2008

Não sei se é felicidade
essa coisa que sinto
por ter ido é vindo dum objetivo
e falado tanto com tantos

Amigos são possibilidades infinitas
futuros irmãos, quem sabe
companheiros de cárcere e de liberdade
que compartilham esperança e desespero
ou apenas pessoas que se vêem de vez em quando

Trazem esperança
e a certeza de que é possível ser feliz
vivendo o momento
um dia de cada vez
mesmo que as vezes aos prantos
a vida possa parecer triste
mas q a gente sabe q o final vai ser legal

E, ser capaz de ver a beleza das coisas mais simples
se surpreender com o inesperado
é o que há de delicioso
em sair por aí em busca de vida

Porque viver é respirar
é sentir-se capaz de ir e voltar
e correr os riscos sorrindo
buscar carinho em uma pétala caída
é tentar
é falar, ouvir, sorrir
é calar

Pois vale a pena cada dia
cada minuto parado pra descansar
cada olhar adiante, decidir seguir
e mesmo ao olhar pra trás, ir

sábado, 5 de abril de 2008

Quem sabe um dia...

"Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.


Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.


E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar."


(por Cora Coralina)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Não é opcional

O tempo, mesmo invariável, é diferente pra cada um.
E o tempo de esperar
é inversamente proporcional ao que se leva pra amar.
Não deveria o tempo de amar
ser maior que o tempo de esperar?

esperar por algo que nunca chegará...
são esperanças que se vão
após o centésimo ou milésimo choro sequencial.

Sempre se vão.
E um dia outras vêm...
E outros desesperos...
Não é opcional
Falta amor a tudo
Sobra dor
Sobra tempo
Falta vida

sábado, 22 de março de 2008

Sumário de mim mesma

Ser humano e ser social
com surtos frequentes de sinceridade
que estrangulam a razão e fogem do controle

Angústia, abafando a vontade,
espremendo o coração
vontade fulminante de correr, correr, correr
para algum lugar qualquer que nem existe

Amor, sempre um susto
feito maçã com bicho, da perspectiva do bicho
que sequer imagina a existência de outro mundo
até ser surpreendido pela possibilidade de se transformar

quinta-feira, 20 de março de 2008

adulterados

estavam equilibrados (controlados)
os extremos da liberdade
nos escombros da vida

algumas coisas ainda fora do lugar
mas o vento soprava a favor
até que fatos inesperados
abalaram a calmaria
que sucumbiu ao inexplicável

culminou na esperança
de que votos de confiança,
ainda que velados,
não terminassem em descaso

sábado, 15 de março de 2008

A ti posso amar sem medo

Eu te admiro céu,
pela cumplicidade com que presencias minhas insanidades
pelo calor com que me envolves ao relento
pela frieza que emanas em teu expirar

Continuas belo e puro
intacto céu noturno
Tudo no mesmo ritmo e lugar
Exceto a frequência com que vão e vêm
os satélites artificiais

Só você, céu, que me acalma como o sono,
traz esperanças e lembranças
do pouco que quero guardar pra sempre
Você, que tem olhos noturnos
e que vê tão nítido o brilho do universo
pode perceber que tudo está suspenso
e que isso não é relativo?

O quanto poderia ser mais belo, não sei
As palavras que não existem
significam mais que tudo o que foi dito
Não se apegue, disse-me
Não se apegue, disse-lhe
Não menti, blefei. Mas não resisti
Meu corpo e meus sentidos ignoraram minhas próprias regras

Pra não ficar na dúvida

Na montanha, subiria o mais alto que meu corpo aguentasse e não desceria até a dúvida passar;

Na água mais gelada no inverno, mergulharia e ficaria lá, submersa, até a dúvida passar;

Sobre pontas e pedras, deitaria meu corpo e não levantaria até a dúvida passar;

Para o Sol mais intenso, fixaria meu olhar e não piscaria até a dúvida passar;

Sentaria na calçada e, mesmo com frio e fome, de lá não sairia até a dúvida passar;

Gritaria até a voz acabar;
Sentiria até tudo se degenerar
Faria a mim o melhor ou o pior e não cessaria até a dúvida passar.

Porque a mim a dúvida atordoa, embrutece e angustia.
Porque duvidar da sinceridade de alguém é mais que agonia.
Porque duvidar de de si mesmo é muito pior que qualquer dor ou castigo.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Sinto tudo

Sinto saudade
Sinto falta
Sinto carinho
Sinto raiva
Sinto remorso
Sinto medo
Sinto amor

Tudo, sem ter estado
Tudo, sem ter tido
Tudo, sem ter sentido
Tudo, sem ter provocado
Tudo, sem ter feito
Tudo, sem ter buscado
Tudo, sem ter experimentado