quarta-feira, 26 de março de 2008

Não é opcional

O tempo, mesmo invariável, é diferente pra cada um.
E o tempo de esperar
é inversamente proporcional ao que se leva pra amar.
Não deveria o tempo de amar
ser maior que o tempo de esperar?

esperar por algo que nunca chegará...
são esperanças que se vão
após o centésimo ou milésimo choro sequencial.

Sempre se vão.
E um dia outras vêm...
E outros desesperos...
Não é opcional
Falta amor a tudo
Sobra dor
Sobra tempo
Falta vida

sábado, 22 de março de 2008

Sumário de mim mesma

Ser humano e ser social
com surtos frequentes de sinceridade
que estrangulam a razão e fogem do controle

Angústia, abafando a vontade,
espremendo o coração
vontade fulminante de correr, correr, correr
para algum lugar qualquer que nem existe

Amor, sempre um susto
feito maçã com bicho, da perspectiva do bicho
que sequer imagina a existência de outro mundo
até ser surpreendido pela possibilidade de se transformar

quinta-feira, 20 de março de 2008

adulterados

estavam equilibrados (controlados)
os extremos da liberdade
nos escombros da vida

algumas coisas ainda fora do lugar
mas o vento soprava a favor
até que fatos inesperados
abalaram a calmaria
que sucumbiu ao inexplicável

culminou na esperança
de que votos de confiança,
ainda que velados,
não terminassem em descaso

sábado, 15 de março de 2008

A ti posso amar sem medo

Eu te admiro céu,
pela cumplicidade com que presencias minhas insanidades
pelo calor com que me envolves ao relento
pela frieza que emanas em teu expirar

Continuas belo e puro
intacto céu noturno
Tudo no mesmo ritmo e lugar
Exceto a frequência com que vão e vêm
os satélites artificiais

Só você, céu, que me acalma como o sono,
traz esperanças e lembranças
do pouco que quero guardar pra sempre
Você, que tem olhos noturnos
e que vê tão nítido o brilho do universo
pode perceber que tudo está suspenso
e que isso não é relativo?

O quanto poderia ser mais belo, não sei
As palavras que não existem
significam mais que tudo o que foi dito
Não se apegue, disse-me
Não se apegue, disse-lhe
Não menti, blefei. Mas não resisti
Meu corpo e meus sentidos ignoraram minhas próprias regras

Pra não ficar na dúvida

Na montanha, subiria o mais alto que meu corpo aguentasse e não desceria até a dúvida passar;

Na água mais gelada no inverno, mergulharia e ficaria lá, submersa, até a dúvida passar;

Sobre pontas e pedras, deitaria meu corpo e não levantaria até a dúvida passar;

Para o Sol mais intenso, fixaria meu olhar e não piscaria até a dúvida passar;

Sentaria na calçada e, mesmo com frio e fome, de lá não sairia até a dúvida passar;

Gritaria até a voz acabar;
Sentiria até tudo se degenerar
Faria a mim o melhor ou o pior e não cessaria até a dúvida passar.

Porque a mim a dúvida atordoa, embrutece e angustia.
Porque duvidar da sinceridade de alguém é mais que agonia.
Porque duvidar de de si mesmo é muito pior que qualquer dor ou castigo.