terça-feira, 28 de dezembro de 2010

cra

alto, muito alto
ouço meus joelhos ao chão
o tempo todo parece uma faisca
um momento q aconteceu tão rápido
Poderia ter acabado ali
no segundo em que,
de repente,
tudo escureceu,
de repente,
justamente quando abri os olhos
ouvindo aquilo que me deixou ali
e agora aqui
por tanto e por pouco
aqui
sem nada mais a fazer

Em frente

A vida me provoca
aceito
vou de frente
ela me empurra, bate no meu peito
mostra que é preciso algo mais
que me falta humildade
e sei que tenho tanto a aprender
tanto a aceitar
tanto a perdoar


...

e sou obrigada a recuar
caio
choro
levanto
dói, mas dá pra aguentar

sigo

domingo, 19 de dezembro de 2010

Controle

Como é possível q eu prometa algo assim?
O que acontece não é uma decisão
nem acato, nem desacato

É possível fingir as batidas do coração?
Tanto quanto é possível pintar o ar

Há quem diga que existe um controle
Haveria...
tanto quanto fosse possível prever a data de nossa própria morte:
com um ato vonluntário procurando deixar de existir
Mas nem isso garante a inexistência,
nem a desconstrução
É somente mais uma ação desesperada em busca do controle

domingo, 14 de novembro de 2010

isso tudo

Assusta muito
isso tudo acontecendo
dentro e fora de mim

Não sei do que tenho mais medo
De morrer ou de sobreviver

O que vai sobrar de mim?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SAI!

Do movimento de expirar desprendem-se idéias
sugeridas pelo desespero
e por tudo o que é e que não é
segundo após segundo

Há vagas pra repousar o peito
sem precisar acabar
quando coisas morrem no final?

Olhos pecam
pedem pra descansar enfim
enquanto auroras acontecem
e o dia não amanhece mais
Foi quando tudo morreu pra mim

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

abismo

Estranheza
é  pensar que o mundo pode não ser nada do que você enxerga
e que existem mundos paralelos, nos quais vc transita sem perceber
portais na escuridão
realidades incomuns em comum

E essa falta de intimidade com a vida?
Quem joga?
Quem perde?
Quem fica?

Qualquer instante pode ser o último
quando se está à beira do abismo
 Embriague-se!

domingo, 31 de outubro de 2010

amor próprio?

Em nome de algo aparentemente imprescindível
as pessoas seguem infladas de orgulho
tão negativo quanto falta de "amor", é o excesso
sobretudo se tratando de amor por si próprio

A humanidade, tão cheia de si
tão receosa quanto perversa,
receosa quando se trata de aproximação
perversa quando age em função de si própria,
"Segue-se-atropelando-se"

"Eu sou mais eu!"
expressão individualista
tanto quanto falar em amor-próprio
que aliás é pura vaidade e egoísmo

"Ama-te excessivamente a ti mesmo?"
esquece-se, a criação, do Criador

Ideologia=preconceito

"A unanimidade de opinião é um dos mais nefastos fenômenos da era da sociedade de massas. Destrói a vida social e pessoal, que são baseadas no fato de sermos diferentes por natureza e por convicção. Aceitarmos a diversidade de opinião nos protege de certezas fanáticas que paralisam toda e qualquer discussão reduzindo as relações as de um formigueiro" (Hannah Arendt)

sábado, 30 de outubro de 2010

Censura

Ato falho...
que diz o que não quer
ao aproximar a vida e a palavra
que escapa do inconsciente
diretamente para a taça de sorvete
saborosamente ao desejo de quem quer provar

Ato falho,
foge da razão que censura,
expõe o que se quer omitir
indicando o contrário,
justamente,
o que "não queremos",
nos mesmos,
enxergar

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

impermanência

Cada momento apenas existe em seu instante
No seguinte, já faz parte da eternidade
de onde tudo vem e para onde tudo vai

Eis que a impermanência é lei
não apenas para casos encerrados
e momentos fechados, com começo e fim demarcados
Tudo é impermanente a todo instante
A cada piscar de olhos
o que era não é mais
e o que não era passa a ser
o que logo em seguida deixará de ser

O que move a humanidade
senão a "certeza" (ilusão)
de que os rios sempre seguirão para o mar
e que a terra girará,
segundo após segundo,
numa velocidade constante?

Todos querem ter certeza de tudo

Não é tão fácil
nem tudo é perfeito
ninguém é melhor que ninguém
Por que as pessoas julgam e se fecham para o "novo"
como uma ostra se fecha em sua casca,
na certeza de que será atacada?

Medo da incerteza?


*********************************************************


Busco um lugar, um abrigo, um refúgio
algo nessa vida que realmente valha a pena acreditar

Posso chorar agora...
estremecer com minhas ilusões de sobrevivência
Pode ser que tentem me armar
Pode ser que eu consiga mudar quase nada
Posso entristecer por não conseguir me compadecer
Mas nada me impedirá de continuar tentando

Eleições... mais um tempo

... as pessoas (a maioria, no caso), obrigadas a votar, votam, e legitimam cada vez mais a centralização do poder

Um dia vai haver outra realidade
A concretização da democracia
A realidade da consulta popular
Onde as pessoas irão às urnas ou às ruas, ou sei lá onde,
dizer sim ou não,
decidindo suas próprias leis
Não haverá eleição de parlamentares,
de um alguém pra representar tantos
A decisão será "sim" ou "não"
e as pessoas não terão "um" culpado pra apontar
num país onde todos procuram alguém pra condenar
(me condenem! :p)

Pode ser que seja dolorido no começo
Quase como que feito criança que
mesmo tendo ouvindo um aviso de
"é perigoso!",
seduzida,
brinca com fogo,  e sente os efeitos

Enquanto não assumirmos as responsabilidades de nossas decisões e ações,
e tivermos um "representante " pra jogarmos a culpa
e nos sentirmos vitimados;
enquanto não sentirmos, na pele, as consequências (boas e ruins) de nossas escolhas;
enquanto não observarmos que tudo é transitório
e que temos a possibilidade de mudar tudo;
enquanto não nos assumirmos responsáveis,
seremos eternos imaturos,
sem consciência social,
sem consciência política,
sem consciência.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Raízes ( Renato Teixeira)



Galo cantou
Madrugada na Campina
Manhã menina
Tá na flor do meu jardim
Hoje é domingo
Me desculpe eu tô sem pressa
Nem preciso de conversa
Não há nada prá cumprir
Passar o dia
Ouvindo o som de uma viola
Eu quero que o mundo agora
Se mostre pros bem-te-vi
Mando daqui das bandas do rural lembranças
Vibrações da nova hora
Prá você que não tá aqui
Amanhecer
é uma lição do universo
Que nos ensina
Que é preciso renascer
O novo amanhece
O novo amanhece
Já tem rolinha
Lá no terreiro varrido
E o orvalho brilha
Como pétalas ao sol
Tem uma sombra
Que caminha pras montanhas
Se espelhando feito alma
Por dentro do matagal
E quanto mais
A luz vai invadindo a terra
O que a noite não revela
O dia mostra prá mim
A rádio agora
Tá tocando Rancho Fundo
Somos só eu e mundo
E tudo começa aqui
Amanhecer
é uma lição do universo
Que nos ensina
Que é preciso renascer
O novo amanhece
O novo amanhece

sinais

Palavras nos olhos
Surdez absoluta (se eu pudesse)
Quase desfigurada
pela energia que corrrói a alma
brotando no silêncio

Nós, amarras, correntes
que por hora estão e ficarão

Como dinâmica da dor
racionalmente...
ainda respirando
Sem desculpas,
Sem mentiras,
Sem dormir
Sem acordar!

E as notas que restaram
solícitas, se envolvem
socorrendo e pedindo socorro
Tarde demais
Prestes a fechar um ciclo
e começar de novo
tudo de novo
sei lá quando
sei lá como
sei lá onde
até acabar

terça-feira, 5 de outubro de 2010

livre

Linda é a tua liberdade,
E pensar que minhas prisões já quiseram te prender
Mas o prazer vem mesmo é da liberdade
Da tua liberdade em se expressar e fazer o que quiser
Da minha liberdade em ser ou não ser
e podermos mudar isso a qualquer momento
Não se prenda, revele-se
A liberdade de ser qualquer um assusta
Seja o que for, com ou sem receio
Há riscos
O mesmo risco de existir, nascer, respirar.
Só é preciso respirar pra seguir em frente
E a vida te mostra o quão cheia de detalhes é
detalhes que fazem toda diferença
e podem mudar tudo de novo

domingo, 3 de outubro de 2010

opção

No calor dos acontecimentos
Há omissões
E necessidade de respostas
no ritmo das emoções
Imediatismo sem reflexão
Mais rápido do que a racionalidade pode
Impreciso
Transitório
Enlouquecedor

PIG - Partido da Imprensa Golpista



Este vídeo foi produzido com trechos de editoriais de jornais brasileiros logo após o golpe militar de 1º de abril de 1964.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Gramani e os códigos da composição musical

Como é possível haver um código rígido para expressar idéias flexíveis?
Fácil. Basta que o código não seja formalizado nem interpretado por uma máquina. O código é  transmitido e recebido por um ser sujeito a variações emocionais, sujeito ao “astral” do dia, às variações de temperatura e aos contratempos da vida diária. Então, o código deixa de ser rígido.
J. E. Gramani

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Começo-meio-fim

Isso tudo não é um começo, um meio ou fim
é apenas um momento acontecendo
é a vida sendo
agora

sábado, 28 de agosto de 2010

brevemente

Aceitar-se como humano
com o termo carregado de interpretações
Render-se ao momento?
Às emoções,
afloradas pelos erros
pelos maus entendidos
pelos entendimentos?
Perdoar-se.

Tão insuportável quanto desejável
Na mesma medida
Razão subvertida ao calor da hora
Sem mais,
sem menos
Pra quê, se viver é transgredir ao raciocínio?
Razão completa a emoção?
Talvez faça sentido
Um dia
Brevemente

calo

Coisas que minha cabeça não entende
Os motivos, as razões
daquelas preferências e escolhas
Decisões que flutuam
Sugestões que se impõem
Tudo ou nada
Amor ou ódio
Assim
Tudo assim
Olhares Nublados
Estrelas Marejadas
Calo

Explosões sem cacos?

Perturbador
Música sem sentido

Imprevistos
Perigo sem alerta vermelho
Tudo revirado
Indelicado
Sensações
Emoções
Explosões internas
Sem erupções

O silêncio
Não é opcional
Não é racional
Quase inconsciente
É o que é porque machucou e dói
Não há razão mais que emoção

Sensível demais?
Pele ferida
E alma em pedaços

SI-RE-FA-LA

Sem função
Viver em SI
Sem FÁLÁ

Desestrutural

Na dimensão total de si
Os sentidos
Impetuosos, mas frágeis
Guerreiros em paz
Confusos, quem sabe
Áz vezes bloqueados
(ação/reação)
Mas aptos ao amor, transbordam

Parece assim:
Que há flores em todos os sentidos
Cresceu, floresceu
Flores sem sentidos?
Desestruturadas
Sem função, sem razão
Reviradas por dentro e fora

Tempestades conectadas
Onde não há sentido e emoção
Ir/voltar
Ir/ficar
Tanto fez
Tanto faz

sábado, 31 de julho de 2010

Música espectral?

Okanagon, composta pelo italiano Giacinto Scelsi em 1968, para arpa, contrabaixo e tam tam.

1968 é um reflexo da música eletrônica no espaço acústico. Com a idéia de criar o espaço dentro da música, de criar a perspectiva na música, Scelsi salienta o elemento percussivo da obra (algo a se observar atento),  fazendo com que a arpa, o contrabaixo e o tam-tam assumam o papel de percussão (sobretudo na parte central da peça)
Scelsi com três instrumentos tradicionais e aparentemente de sonoridades diversas, cria um timbre especial e unificador nesta peça, com o tam tam, o contrabaixo, cujas três notas mais graves são afinadas meio tom abaixo e a arpa, em que as três cordas mais graves são afinadas 1/4 de tom acima. É como se essa música fosse feita com um só instrumento inventado, quando na verdade, são três instrumentos que estão tocando. 


"Come il battito del cuore della terra"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cidade grande

Lugar estranho,
terra hostil que me faz feliz
Posso ser ninguém aqui
Tenho a liberdade de ser ninguém
Somos todos "qualquer um" aqui.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

É frio

Tantas linhas em branco
Sufoca sentir esse silêncio
Um silêncio real e profundo
Lugar comum, inventado

Preencho o vazio com a dúvida
Certezas ferem, confirmam
Não há recíproco
E o tempo parece se divertir friamente

Sem resposta, o vento sopra
Ecoa, sem princípio, meio ou fim
Há dias assim, silêncio e abismo
Em que a dinâmica flutua

O dia está tão cinza
Nada se manifesta
Sugere movimentos que desconheço
Meu lugar não é aqui

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Os benefícios da lua (Charles Baudelaire)

"A lua, que é a própria imagem do capricho, olhou pela
janela enquanto dormias em teu berço, e disse consigo
mesma: - "Esta criança me agrada".
E desceu maciamente a sua escada de nuvens, e
deslizou sem ruído através das vidraças.
E pousou sôbre ti com
um suave carinho de mãe, e depôs as suas côres em tuas
faces. Então, tuas pupilas se tornaram  verdes, e tuas faces
extraordinàriamente pálidas. Foi contemplando essa visitante
que os teus olhos se dilataram de modo tão estranho; e
ela com tão viva ternura te apertou a garganta que ficaste,
para sempre, com o desejo de chorar.
Entretanto, na expansão da sua alegria, a Lua invadia
todo o quarto, como uma atmosfera fosfórica, como um peixe
luminoso; e tôda esta luz viva pensava e dizia:
- Tu sofrerás eternamente a influência do meu beijo.
Serás bela à minha maneira. Amarás o que eu amo e o que
me ama: a água, as nuvens, o silêncio e a noite; o mar
imenso e verde; a água informe e multiforme; o lugar onde
não estiveres; o amante que não conheceres; as flôres
monstruosas; os perfumes que fazem delirar; os gatos que
desmaiam sôbre os pianos e gemem que nem as mulheres,
com uma doce voz enrouquecida!
"E tu serás amada pelos meus amantes, cortejada pelos
meus cortejadores. Serás a rainha dos homens de olhos
verdes a quem também estreitei a garganta em minhas
carícias noturnas; daqueles que amam o mar, o mar imenso,
tumultuoso e verde, a água informe e multiforme, o lugar
onde não estão, a mulher que não conhecem, as flôres sinistras
que sugerem incensórios de alguma religião ignota, os
perfumes que turbam a vontade, e os animais selvagens e
voluptuosos que são os emblemas da sua loucura."
E é por isso, maldita e querida criança mimada, que
estou agora prosternado a teus pés, buscando em tôda a tua
pessoa o reflexo da terrível Divindade, da fatídica madrinha,
da ama-de-leite envenenadora de todos os lunáticos."

terça-feira, 29 de junho de 2010

"promete que não vai se apaixonar por mim?"

É incrível como a minha paz está diretamente ligada ao amor!
Quando, de algum modo, existe amor fluindo, existe a paz.
Mas quando fica assim: confuso;
Energia estagnada, interrompida...
...a paz já não se mantém
as informações entram em confronto,
batem de frente com os sentimentos
É guerra, batalha de aceitação;
É juntar os pedaços e tentar sobreviver
...esperar crescer

Mas eu não deixo de acreditar nas pessoas.
Sempre espero.
E, sempre vou esperar o melhor delas
(se o melhor delas é o melhor pra mim, não sei)

É bem desconfortável.
Mas quem disse que o conforto é o melhor?
...quero sempre crescer como ser humano.
E, que seja da melhor forma.
... seja como for
... com conforto ou desconforto
... com ou sem choro

Há um turbilhão de dúvidas dentro da minha cabeça.
Frustração
mesmo assim, não consigo deixar de acreditar nas pessoas... e na vida

segunda-feira, 28 de junho de 2010

"Tous les matins du monde"

Música para quê?

Diálogo final (e mais significativo) do filme  "Todas as manhãs do mundo" com Jean-Pierre Marielle e Gérard Depardieu:

(...)
>Posso lhe pedir uma última lição?
>>Pode tentar uma primeira lição?

... 

>>Quero falar. A música está para dizer aquilo que a palavra não pode. Por isso não é de tudo humana.
Já descobriu que não está feita para o rei.
>Descobri que estava feita para Deus.
>>Pois equivocou-se. Deus fala.
>Para o ouvido?
>>O que não se pode dizer, não é para os ouvido, sr.
>Por dinheiro?
A gloria?
O silêncio?
>>O silêncio é o oposto da linguagem.
>Os músicos rivais?
O amor?
>>Não.
>A perda do amor?
>>Não.
>O abandono.
>>Não e não.
>Por uma barquinha dado ao invisível?
>>Tampouco.
O que é uma barquinha?
Algo que se vê. Tem sabor. Consome-se. Não é nada.
>Não sei senhor.
... não sei mais.
Aos mortos lhes oferece um copo...
>>Também se consome.

...

>Um abrevadero para os que não tem linguagem.
*
Para o assombro dos meninos.
*
Para suavizar as marteladas dos sapateiros.
*
Para o estado que precede a infância, quando não tínhamos fôlego nem luz.

>>Faz um instante ouviu-se suspirar.
Logo vou morrer... E minha arte comigo.
Só meus ganços e minhas galinhas sentirão saudades.
Confiarei-lhe um par de melodias... capazes de despertar aos mortos.
Vamos! Faz-nos falta um gole.
Temos que procurar a viola de minha difunta filha.
(...)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

E esse término eterno que nunca termina?
Por qual dor estás chorando?

O q te sufoca e te escraviza é o mesmo mal de tantos:
a ilusão de se ter algo "tão bom" (que lhe custa o ar);
a constatação do quanto se pode existir;
a aberração distorcida dos conceitos;
a cultura do "amor" e do medo... do poder.

Esperneias, debates-te como um peixe... há milênios

Em ti não dói mais que nos outros
só que dói em ti e isso não combina com tantos sabores

Há um jeito diferente de lidar com essa dor que te aflige:
enfrentar a dor, sentindo-a, em todos os sentidos
olhando-a com os ouvidos
percebendo as cores que existem
além da barreira do medo

Não sofrerás menos
Mas terá valido a pena cada sorriso.

E a sensação de estar vivo apesar de tudo,
quando constatas que não precisa poder,
é tudo o que precisas ter.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Agora,
em que a mínima da a volta completa
cada momento soa completo,
e os segundos são tempos inteiros.
Os compassos,
com muitas pausas existenciais,
seguem,
um após o outro,
interminavelmente,
o princípio da existência.

Assim

Gostar de você é tão natural
algo simples

Era pra ser natural me ouvir falar
Nada de anormal ou eventual
É simples
Sem necessidades especiais
Sem ter que se posicionar
nem tomar decisões
nem andar de mãos dadas

Gostar de você
é querer ficar perto e ficar feliz quando o recíproco acontece
sem rótulos ou regras ou protocolos
É só isso...

terça-feira, 1 de junho de 2010

espaços

Como os buracos do queijo
os vazios existênciais são imprescindíveis para a existencia
universos particulares
microcosmos que justificam existir à luz, na sombra

O coração não se compromete...
é preciso a ruptura, para brotar?
Há uma sede de estímulos sensoriais que não respondem
na ponta dos dedos,
das profundezas do que for mais tocante,
delicado,
no íntimo das indagações mais perspicazes
sem palavras que descrevam o que é aquilo tudo
que brotou (ou que soterrou)
depois da ingestão...
do depois
e do depois
e do enfim


Continua tudo igual
sutilezas
um mundo incrível e sedutor por ser desbravado pelo que a razão não pode descrever

um dia inteiro, repleto de segundos
e respirações em que o cheiro permanece e as coisas quase perdem o sentido
pois o tempo e o espaço não estão dispostos de uma maneira interpretável
quando as coisas, as pessoas chegam e o momento, passou

Olha-se com inquietação comum
e o espaço se torna comum
e o tempo não espera nada... consome o espaço

O tempo consome o espaço!
As coisas apenas não tem mais a mesma dimensão
não como ambos, mas agora como espaço comum  a todos
em que cada um tem um segredo que não faz sentido algum a mais ninguém
exceto, talvez, pelas lembranças do que está longe de ser assimilado

Não há mais aquele tempo e espaço
Há o agora, sempre em flor
Em que cada um é seu próprio espaço
O que fazer agora, neste tempo?
Como se mover agora, neste espaço?

:D

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mãos filósoficas

Você acontece no límbico
Só Deus sabe o que acontece quando te olho
Mãos filosóficas...
Queria não olhar
ignorar teu gênero, teu jeito...
nem tento

E o sorriso...
ah quando vc aciona esse sorriso, eu me rendo!
Se estou perto entro em transe
Melhor que transe
é estar quase inconsciente,
hipnotizada pelo andar,
pelo teu ritmo e teu som
pelo cheiro de bom malandro

Achei graça quando vc me estendeu a mão
oferecendo teu carinho, tua atenção
Gosto de estar perto quando você é você
com longos dedos pensantes
e olhos brilhantes

Olhei pra vc tanto tempo, naquela aula, enquanto o tempo passava
a música sincronizada com a imaginação
e eu atenta a cada detalhe de você
observando teus reflexos, teus gestos,
teu semblante pensante. absorvendo o mundo

ah... aquela música era um detalhe muito importante
era nosso movimento em meus pensamentos;
a única coisa que fisicamente nos mantinha conectados;
era nosso contato, nossa proximidade que existia através dela

Não importam as circunstâncias nem os amanhãs
o que existe é um agora magnético,
imantado pela delicadeza do ritmo que nos aproxima...

Assim ficamos... eu quase te chamando... e vc quase vindo

terça-feira, 18 de maio de 2010

Musicada

"Acordei bemol
tudo estava sustenido

Sol fazia
só não fazia sentido"

(Paulo Leminsky)

domingo, 16 de maio de 2010

... final de semana... evento
flashback dos olhares... da respiração, imóvel...
daquele universo onde ele e eu
tinhamos a doçura da compania um do outro
... do carinho ... da admiração


Quem é o lobo dos olhos brilhantes,
que dormiu no quarto ao lado sob meus sentidos
enquanto eu me virava pra todos os lados...
respirando, paradoxalmente,
alívio e contrariedade...

Acho que era esse o limite.

E o presente:aconchego

com a energia de todas suas interações .

terça-feira, 11 de maio de 2010

... ah, as tradições

FOLHA DE S. PAULO | TENDÊNCIAS/ DEBATES
|
Becas, borlas e jabôs
São Paulo, domingo, 24 de janeiro de 2010


TENDÊNCIAS/DEBATES


NAOMAR DE ALMEIDA FILHO


Becas, borlas e jabôs não garantem a excelência que justifica nossa existência. É preciso talento e produção acadêmica competente


NO INTRIGANTE ensaio "A Invenção das Tradições", Eric Hobsbawm mostra como se inventam tradições a partir de raízes históricas fictícias. Irônico, analisa rituais, brasões, corporações e até o saiote escocês. Curiosamente, esquece a mais legitimada matriz contemporânea de símbolos e signos culturais: a universidade.
Tradições universitárias têm sido inventadas e cultivadas no correr de quase dez séculos. Em se tratando de vestes rituais, são quatro linhagens.
A universidade escolástica mantém-se viva nas tradições clericais das universidades italianas e ibéricas. As vestes solenes das universidades ibéricas são ainda hoje negras e soturnas, recriando trajes das cortes mediterrâneas do século 17. Acompanham adornos indicadores de segmentos, nunca da universidade como um todo. Assim são as samarras, capuzes estilizados que não mais recobrem cabeças, que ostentam cores definidas para cada uma das faculdades.
A universidade britânica surgiu para a formação teológica da Igreja Anglicana. Chapéus ornamentados, capuchos, túnicas e capas coloridas são elementos identificadores de cada casa de ensino, mas não de escolas ou faculdades. Uma procissão acadêmica numa universidade anglo-saxã revela profusão de cores e formas, pois os docentes terão feito seu doutorado em diferentes instituições.
A universidade humboldtiana nasceu sob forte influência protestante, com raízes luteranas ou metodistas, sub-rogada pelo disciplinarismo prussiano. Nos seus trajes rituais, variados por universidades, e não por faculdades, predomina a cor cinza ou marrom. Agregam-se signos remanescentes do barroco alemão, introduzindo elementos como o arminho em semicapas que evocam uniformes militares.
A tradição francesa pouco valoriza a instituição universitária. A reforma bonapartista da educação concedeu às "grandes écoles" hierarquia mais elevada que à universidade. Por isso, na França, vestes talares levam ao extremo o domínio simbólico das faculdades, sob a forma de faixas, sobrepelizes, pelerines e adornos sobre uma beca negra, lisa ou plissada. O "jabeau", peitilho com rendas e brocados, encimado por gravatinha borboleta branca, moda entre os gentis-homens da "belle époque", completa o vestuário de gala acadêmica.
No Brasil, quando faculdades e escolas politécnicas foram fundadas no século 19, a influência francesa predominou como horizonte intelectual e estético. As primeiras instituições promovidas ao regime de universidade foram formadas pela unificação de faculdades.
Hoje, nas instituições universitárias brasileiras, a beca negra e lisa, com um tipo padrão de casquete quadrado com borla e jabô de renda bordada, predomina como veste talar para graduações, simulacro da tradição francesa.
Diferenciando os docentes, faixas, sobrepelizes e capinhas, estilizadas dos capuzes doutorais lusitanos, seguem a gramática de cores do contexto francês. Para distinguir o reitor, universidades brasileiras adotam uma cópia exata da samarra das faculdades conimbricenses, reinventada na cor branca. Com o branco, síntese de todas as cores, talvez se pretenda simbolizar o poder maior da reitoria sobre as faculdades e suas cores.
Recentemente, no Salão de Atos de Coimbra, os reitores das universidades brasileiras reuniram-se para fundar o Grupo Coimbra Brasil. Quase todos em suas becas pretas e samarras brancas, muitos com sobrepeliz de arminho, jabô, faixa, capelo ou borla. Aí descobriram que os reitores da Universidade de Coimbra, fonte de nossa tradição universitária, usam somente um conjunto de calças e jaqueta, negras e justas, pois despojam-se dos signos de suas faculdades ao assumir o cargo maior da instituição.
Temos aqui uma questão de duplo sentido: político e antropológico. A universidade brasileira continuará a se reconstruir como instituição de conhecimento. Para tanto, reforçaremos vínculos com universidades de outras linhagens que conosco compartilham os valores da civilização.
Mas isso não nos obriga a imitar suas tradições nem a criar, a partir delas, simulacros. Os que escolhem fazê-lo precisam saber a que remontam e o significado de rituais e vestes, sobretudo por seu impacto no imaginário social.
Becas, borlas e jabôs são apenas roupas que, em eventos solenes, representam pompa e tradição. Sozinhos, não garantem a excelência que justifica, à sociedade, nossa existência. Isso se conquista com talento, trabalho cotidiano e produção acadêmica competente. (G.N.)


NAOMAR DE ALMEIDA FILHO, 57, doutor em epidemiologia, pesquisador 1-A do CNPq, é reitor da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e autor, com Boaventura de Sousa Santos, de "A Universidade do Século XXI: Para uma Universidade Nova" (Almedina, 2009).

Seguir... manter-se indo...

“Ela está no horizonte (...) Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.”

Eduardo Galeano - As Palavras Andantes



E de tudo, ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...”

Fernando Sabino

Transforme (se)

“Há um tipo de educação que tem por objetivo produzir conhecimentos para transformar o mundo, interferir no mundo, que é a educação científica e técnica. Mas há uma educação – e é isso o que chamo realmente de educação – cujo objetivo não é fazer nenhuma transformação no mundo, é transformar as pessoas.”
Paulo Freire


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“Quem tenta ajudar uma borboleta
a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto
sair da semente o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas.
Tem de acontecer de dentro para fora.”


Rubem Alves

Conhecer, saber? Saber o quê?

A maior contribuição de conhecimento do século XX foi o conhecimento dos limites do conhecimento. Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza. É preciso, portanto, prepararmo-nos para o nosso mundo incerto e aguardar o inesperado.”

Edgar Morin
- Trecho retirado do livro “Cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento

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“A era que virá há de nos mostrar o caos por detrás da lei.”

J. A. Wheeler

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná em 30/04/2010




6.57'

terça-feira, 4 de maio de 2010

Descrição de um beijo

Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

     Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.


Julio Cortázar, O jogo da amarelinha (Cap. 7)

Não te arrependas... :D

Se te casas, arrependes-te;
se não te casa, arrependes-te também;
cases-te ou não te cases, arrependes-te sempre.
Ri-te das loucuras do mundo e irás arrepender-te;
chora sobre elas, e arrependes-te também;
ri-te das loucuras do mundo ou chora sobre elas,
e de ambas as coisas te arrependes;
quer te rias das loucuras do mundo,
quer chores sobre elas irás sempre arrepender-te.
Acredita numa mulher, e irás arrepender-te,
não acredites nela e arrependes-te também;
acredites ou não numa mulher, arrependes-te de ambas as coisas.
Enforca-te, e arrependes-te;
não te enforques, e na mesma te arrependes.
É esta, meus senhores, a quintessência de toda a sabedoria da vida.
 Søren Kierkegaard

quarta-feira, 28 de abril de 2010

enfim

Depois do fim
o silêncio
a distância
Desamor e distância:
imensidão
escuridão

Atrofiada pela mágoa
parece nada fazer sentido

Antes de atravessar
faltam palavras
Algo pacificador,
com frutas...


As peças do quebra-cabeça não se encaixam na história.

(...)

E enfim entendi
que o contrário do amor,
o desamor,
não é o ódio
É a indiferença.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Entender, enfim, o lugar daquelas canções

A ditadura amordaçava... a censura fazia-se presente e surgiam os protestos... "gosto muito de te ver, leãozinho"
Muitos meios de comunicação se submeteram ao Golpe que parecia absoluto e definitivo naquele momento. Porém, o absoluto, o definitivo, é praticamente inexistente. Todo ato, por mais absoluto que pareça, traz em si em por si, sua negação. Toda asserção provoca oposição... Um jornal que se submeteu ao golpe militar, e que havia antes ficado contra o golpe, foi sensurado. A censura se instalou por dentro, para impedir que publicassem artigos e matérias contra a ditadura. Então, no lugar dessas notícias censuradas, eles publicavam poesias, receitas de bolo, para que todo mundo soubesse que ali era o espaço da censura. Uma luta clandestina, surda... brilhante.
"Apesar de você/ amanhã há de ser / outro dia"
A luta continua, em busca da verdadeira democracia, essa que tenta "enterrar a senzala e libertar definitivamente os escravos da nossa cultura"

quinta-feira, 15 de abril de 2010

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL (Frei Betto)

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: ‘Não foi à aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã...’ ‘Que tanta coisa?’, perguntei. ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’ 
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? 
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!’ O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse. 
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald... 
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático.’ Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
“Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!”

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Repelente caseiro contra insetos (inclusive mosquita :) da dengue)

Ingredientes: 1/2 litro de álcool, 10 gramas de cravo da índia (2 colheres sopa), 100 ml de óleo vegetal (girassol, babaçu, linhaça, gergelim, amêndoa doce, azeite).
Preparo: Coloque o álcool numa garrafa de vidro de 1 litro e adicione os cravos. Deixe o cravo curtindo no álcool por 4 dias agitando 2 ou mais vezes/dia (manhã e de tarde). Desta forma, o álcool irá extraindo o óleo esencial do cravo. Após 4 dias acrescente o óleo corporal. Agite antes de usar.

Função e forma de uso: Passe só uma gota em cada braço e pernas e os mosquitos serão repelidos. O óleo de cravo tem a propriedade de repelir também formigas (cozinha e dos eletrônicos) e até as pulgas dos animais.
Esse repelente evita que o mosquito sugue o sangue humano, e subnutrido, não conseguirá maturar os ovos, realizar a postura, reduzindo com o tempo a sua proliferação.
Se toda a comunidade usá-lo, como num mutirão, todos se beneficiarão.

Fonte: STUM (http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=09632)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Lua depois da chuva

Olha a chuva:
 molha a luva

cada gota de água
como um bago de uva


A chuva lava a rua
a viúva leva
o guarda chuva
e a luva


Olha a chuva:
 molha a luva
e o guarda chuva
da viúva


Vai a chuva
e chega a lua
lua de chuva

(Cecília Meireles)