quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

"Obsessão

Selva, me apavoras como as catedrais.
Teu órgão urra e meu coração maldito
Responde a todos os teus ecos sepulcrais,
Câmara de luto vibrando em velho rito.

Mar, eu te odeio! Teu oco, teu tumulto
São meus, bem meus; eu ouço o riso, o esgar
Do homem vencido, o choro, o insulto
Ouço, na gargalhada enorme do mar.

Como eu te amaria, ó noite! sem estrelas
Pra salpicar a fala de lugar comum!
Eu procuro o vazio, o negro, o nu!

Mas esta escuridão também é uma tela.
No meu olho reluz, comigo vem morar,
Daqueles que eu perdi, o querido olhar."
(Charles Pierre Baudelaire)

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