quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

"CAENTE

A desproporção entre o céu negro
e as letras prenhas, inchadas
sortidas de cansaço
é a dúvida - que é quase o equilíbrio da vida.
Busca de palavras: sempre disputando,
assumindo (...) sofrendo à toa.
A noite quieta, precisão profunda,
espessa e completa,
ausente às iniciações e fronteiras do pensamento:
Sim, os poetas são aqueles que cavam a noite.
Tão sublime e inesgotável o poço do céu escuro
oco de estrelas caentes:
moedas amarradas a pedidos ou esperança de inspiração
que se afundam
pelo mesmo motivo da estranheza de sua pessoa
estar sempre à borda do abismo."
(Fausto R. A.)

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